Estudantes comemoram 1º ano de investigação da máfia dos fiscais
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 02 (AE) - Com direito a bolo e "parabéns a você", cerca de 150 estudantes comemoraram hoje, na Câmara Municipal de São Paulo, o primeiro ano das investigações da máfia dos fiscais. O evento foi marcado por palestras dos principais protagonistas da máfia, como o promotor José Carlos Blat, o vereador e presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, José Eduardo Martins Cardozo (PT), e a empresária Soraia Patrícia da Silva. À tarde, os estudantes visitaram todo o prédio da Câmara.
A manifestação, coordenada pela organização não-governamental Central Anti-Corrupção, lembrou que há um ano o ex-fiscal da Administração Regional de Pinheiros Marco Antonio Zeppini foi preso em flagrante tentando extorquir dinheiro da comerciante Soraia Patrícia da Silva. A prisão deflagrou uma série de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE).
Uma faixa lembrava a triste conclusão de que a máfia ainda não acabou: "Infeliz aniversário, a corrupção continua". Nas palestras, os convidados também lembraram que a corrupção na cidade ainda não acabou. "O que fizemos foi 30% do trabalho que ainda teremos", disse o promotor Blat, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaecco). Ele lembra que ainda há vários órgãos para serem investigados pelo MPE e pela Polícia Civil. "Eu estou entre os 88% que acham que a máfia não acabou", disse o promotor, referindo-se à pesquisa do "InformEstado" em que nove entre cada dez paulistanos acham que a máfia vai continuar.
"As pessoas tem de cobrar mais da administração pública", disse Soraia. "O máximo que eles fizeram até agora foi jogar a sujeira para debaixo do tapete", completou. O ex-vereador Francisco Whitaker (PT) salientou que apenas uma grande mobilização da sociedade provocará alterações na administração pública.
"A sociedade ainda não tem consciência do poder que delega às pessoas que elege", disse Whitaker. O ex-parlamentar, que foi eleito em dois mandatos na Câmara, desistiu de concorrer a cargos eletivos por causa dos problemas encontrados no Palácio Anchieta, entre eles a corrupção.
"Participei de duas CPIs para investigar casos de corrupção." Durante o evento, uma pessoa, que identificou-se como Sargento Lima, que atualmente está na reserva, interrompeu as palestras gritando palavras em defesa do prefeito Celso Pitta (PTN) e criticando a imprensa e os vereadores. Não houve incidentes.
Os estudantes gostaram da manifestação. "É importante nós participarmos ativamente, e não ficar só acompanhando pelos jornais", disse o estudante Dirceu Onório de Oliveira. "Isso nos ajudará a votar de forma mais consciente", completou Marco Aurélio Bettini. Ele não esquecerá a cassação "daquele vereador da Penha", referindo-se ao ex-vereador Vicente Viscome, acusado de liderar um esquema de cobrança de propinas na Administração Regional da Penha.


