Estudantes atiram ovos em ministro
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sexta-feira, 28 de junho de 2002
Mônica Kaseker<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) invadiram o palco do Centro de Convenções de Curitiba, ontem por volta de meio-dia, quando o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, começava seu discurso no Fórum de Debates sobre o Fundef, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino e Valorização do Magistério. Não pago, não pago! Educação é dever do Estado!, gritavam os estudantes. Eles chegaram a atirar dois ovos contra o ministro, sem acertar. Paulo Renato de Souza deixou rapidamente o local e cancelou sua participação no evento.
O fórum, organizado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), foi direcionado a prefeitos, vereadores e técnicos ligados à execução do Fundef. O ministro falou cerca de cinco minutos, destacando os resultados alcançados em sua gestão, e nem mesmo havia começado a falar sobre o Fundef, quando os estudantes subiram pelas duas laterais e o cercaram.
Segundo o coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPR, Guilherme Mikami, o protesto teve como objetivo mostrar ao ministro a total insatisfação dos estudantes diante da quebra do acordo feito ao final da última greve, em dezembro do ano passado, principalmente sobre a contratação de professores. Os estudantes também reclamaram da questão salarial dos professores e da falta de verbas para equipamentos e materiais.
Em entrevista coletiva, no TCE, Paulo Renato considerou o protesto um ato covarde, antidemocrático, agressivo, ofensivo e fascista. Sobre as reclamações dos estudantes, o ministro disse que durante o governo Fernando Henrique foram criadas 11 mil vagas nas universidades federais, através de concurso. A qualificação também teria melhorado, com aumento no índice de doutores, de 21% para 37%, e de mestres, de 50% para 67%. O ministro também garantiu que já foram autorizadas vagas para a UFPR, dependendo da própria universidade a realização do concurso para contratação.
O reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior, considerou o protesto uma atitude de cidadania que deveria ser compreendido. Segundo ele, este ano apenas 14 vagas foram efetivadas na instituição, sendo que o número necessário é de 214. Em todo o Brasil, disse o reitor, seriam necessários 6 mil professores para se voltar à situação de 1994.
O ministro negou o déficit de professores dizendo que o número de professores continua na casa dos 42 mil em todo o país, tendo aumentado sim a proporção de alunos por professor, de 8/1 para 11/1. Paulo Renato também disse que o Ministério está repassando US$ 500 milhões para a compra de equipamentos para as universidades federais.
O presidente do TCE, Rafael Iatauro, disse que a manifestação dos estudantes foi legítima, mas acabou interferindo no interesse da platéia de cerca de mil pessoas em ouvir o ministro. Se eles tivessem me pedido para falar, eu deixaria, mas a forma como eles agiram não foi correta, disse.


