São Paulo, 29 (AE) - O delegado Marcelo Damas, que preside as investigações sobre a morte do calouro Edison Tsung Chi Hsueh, disse que poderá indiciar Frederico Carlos Jana Neto, o Ceará, por homicídio doloso (com intenção de matar). "Vou resolver no decorrer da semana."
O policial afirmou que a confissão do estudante de Medicina da USP, na gravação de vídeo feita por um cinegrafista amador, tem fundamento. "Há no inquérito contra ele denúncias anônimas que revelam a violência praticada durante o trote e, ainda, uma carta descrevendo como agiu contra os calouros."A fita com as declarações de Ceará, em poder da polícia, foi entregue ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na tarde de segunda-feira, pelo setor de jornalismo do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão).
Para Damas, se o estudante declarou ser o autor da morte porque estava sendo pressionado por estudantes de outras faculdades, "terá de provar sua inocência". A prisão temporária, segundo o delegado e a promotora Eliana Passarelli, poderá ser prorrogada por mais cinco dias se houver necessidade para as investigações.
O cinegrafista e os estudantes que estavam com Ceará, na festa em que foi feito o vídeo, serão ouvidos no inquérito. "Ele deverá fornecer o nome das pessoas presentes na festa, da namorada e do irmão dela", informou a promotora. Eliana contou que a sindicância da USP, com a conclusão de que houve trote violento, vai ajudar nas investigações da polícia. O advogado de Jana, Guilherme Battochio, pediu ao delegado que não se precipite no indiciamento de seu cliente. "Não quero que Frederico se torne uma vítima, a exemplo dos donos da Escola Base, que foram acusados de diversos crimes e eram inocentes."

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