Salvador- Estudante de pedagogia, casada e mãe de dois filhos - uma menina de 9 anos e um menino de 5 -, a recepcionista Viviane Brito Barbosa, de 29 anos, morreu por não ter R$ 10 a mais no bolso na hora de comprar um remédio para asma.
Moradora do bairro periférico de Fazenda Grande do Retiro, em Salvador (BA), Viviane começou a ter um ataque asmático em casa, na noite de quarta-feira. Sem conseguir localizar a ''bombinha'' - equipamento que dispara um jato de broncodilatadores diretamente nas vias aéreas do paciente - no imóvel, resolveu seguir para a farmácia mais próxima para comprar outra.
Vendo a urgência da situação, o padrasto dela, o aposentado Renê Moreira, prontificou-se a ir junto, mas esqueceu a carteira em casa. ''Chegando lá, Viviane viu que só tinha R$ 12 no bolso - e o remédio custava R$ 22'', lembra Moreira. ''Só lá notei que eu estava sem minha carteira.''
De acordo com ele, a crise foi se agravando e as duas funcionárias da farmácia não se mobilizaram para vender o medicamento, nem quando ele se ofereceu para deixar os documentos do carro como prova de que voltaria para arcar com a despesa.
Vendo Viviane com os lábios arroxeados, Moreira resolveu desistir da negociação e levá-la diretamente para o centro de saúde mais próximo, no bairro vizinho de São Caetano. Ela desmaiou no caminho e sofreu uma parada cardiorrespiratória pouco antes de chegar ao hospital. Não houve tempo para que os médicos pudessem reanimá-la. ''As funcionárias da loja conheciam nossa família, a gente sempre comprava lá, não faz sentido'', revolta-se o marido de Viviane, Márcio Santos, de 34 anos.

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