São Paulo, 30 (AE) - O estudante Wellington Ferreira Mendes, de 22 anos, matou com 13 tiros de pistola calibre 380 o colega de classe Elcio Clenio de Souza, de 18 anos, dentro de uma sala de aula da Escola Estadual Bartholomeu de Carlos, localizada no bairro Jardim Leblon, em Guarulhos, na Grande São Paulo, na noite de ontem (29). crime aconteceu, às 21h30, durante uma aula de português. Na hora havia 35 estudantes no local. O motivo, de acordo com as testemunhas, foi uma rápida discussão por causa de uma aposta de jogo de baralho.
"O Wellington perdeu R$ 10,00 no truco e depois pediu o dinheiro de volta", disse a estudante D.S., de 15 anos, que presenciou o assassinato. "Mas o Elcio falou que ele precisava saber perder e continuou a brincar com ele, afirmando que não devolveria o dinheiro". Nervoso, Wellington pediu a pistola semi-automática emprestada de um outro aluno da mesma classe, Arierfeson Luis Aguiar, de 19 anos, que guardava a arma dentro de sua jaqueta. "Nessa hora, ele gritou que não era para ninguém se meter, pois quem fizesse isso morreria", relatou D. "O professor gritou para acabar com aquilo, mas Wellington também o ameaçou dizendo que ele também iria morrer".
"Depois disso, nós só escutamos os tiros e começamos a correr", disse A.B., de 17 anos, que também estava no local. "Escutei quatro tiros e depois saí correndo a procura de algum abrigo". Houve tumulto e corre-corre dentro da escola. Família - De acordo com a família de Elcio, ele foi socorrido depois de 20 minutos. "A direção da escola fechou os portões e os moradores da rua precisaram arrombar a porta principal para entrar e socorrer meu filho", afirmou a mãe do estudante, a dona de casa Maria de Fátima Ferreira Souza, de 45 anos. "Os garotos que estavam com a arma conseguiram fugir ameaçando os funcionários da escola".
"Meu filho estava de roupa branca e quando foi socorrido estava todinho vermelho de sangue", completou a mãe do rapaz. "A direção precisava ter sido mais rápida no socorro, talvez isso salvasse a vida de Elcio". Ele foi levado pelos vizinhos para o Pronto-Socorro Alvorada, onde morreu pouco depois. Os dois rapazes, que foram indiciados pela polícia por homicídio, estão foragidos. O caso foi registrado no 4.º Distrito Policial de Guarulhos. Revolta - Os alunos da primeira série do segundo grau que viram o crime, ainda custam a acreditar no que aconteceu. "O Wellington levava para a classe calculadora com antena e fingia que era celular", disse a estudante Andréa. "Quando ele segurou a arma, pensamos que era um brinquedo, mas depois aconteceu a tragédia".
O corpo do estudante foi enterrado às 17 horas de hoje no Cemitério do Bonsucesso, em Guarulhos. Durante o velório, parentes, amigos e os colegas de classe, que cursam o primeiro ano do segundo grau, não escondiam a tristeza. "Meu filho estudava na escola desde pequeno, este ano entrou esse rapaz cheio de maldade e tirou um pedaço de mim", desabafou Maria de Fátima, mãe de Elcio, ao lado de seus outros quatro filhos. "Meu filho era estudioso e seu maior sonho era ser um jogador de futebol profissional como o Marcelinho Carioca".
"Mas o seu sonho foi destruido dessa maneira", completou a mãe. "Isso não é justo, principalmente agora que ele tinha conseguido entrar num clube de futebol profissional".

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