Estudante mata colega a tiros em escola de São Paulo
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Por Rosa Bastos 
São Paulo, 26 (AE) - Uma briga por causa de um jogo de futebol pode ter levado o estudante J.C., de 15 anos, a matar seu colega Daniel de Brito Ferreira, da mesma idade. Daniel, que faria 16 anos na próxima semana, chegava à Escola Maria Montessori, na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, pouco antes das 7 horas, quando J.C. o teria interpelado a respeito da "pelada" ocorrida na escola, na véspera. Sacou um revólver. Daniel correu, mas foi atingido nas costas e na cabeça. Morreu meia hora depois, no Hospital Mandaqui.
Daniel, da 7.ª série matutina, estudava naquela escola havia três anos e, além da defasagem de idade, tinha problemas de disciplina. No ano passado, pichou com um canetão a enorme mesa, "novinha em folha", usada para os lanches no pátio. Seu rendimento escolar era apenas razoável. Já o menino que atirou nele era mais bem comportado. Estudava à noite e tinha acabado de passar para o turno da manhã porque conseguira um emprego.
Hoje à tarde, na escola silenciosa e quase deserta, alguns alunos comentavam que a rixa entre os dois era antiga, porque eles pertenceriam a gangues de pichação rivais. Na hora dos tiros, os alunos chegavam para as aulas. Assustados, muitos choravam. A vice-diretora acompanhou o estudante ferido e depois foi avisar os pais dele. A diretora reuniu os estudantes no pátio para acalmá-los. As aulas foram suspensas.
"Estamos todos chocados e atônitos", disse Sônia Maria de Souza Santa Cruz, diretora da 4ª. Delegacia Regional de Ensino. Segundo ela, a escola, que funciona no bairro há mais de 40 anos, é conceituada e muito bem equipada, tem apenas os problemas comuns a todas as escolas. "Nosso bairro não é violento."
Mesmo assim, as aulas foram iniciadas no dia 8 com um grande tema de trabalho: drogas e violência. "Sabemos que existem viciados em drogas, mas nunca pegamos nenhum", atesta a policial militar Gecicleide, que tem posto fixo na área da escola. "Essa é uma escola privilegiada."
Foragido - J.C. está foragido. "Ainda que ele apareça, nada vai lhe acontecer porque é menor de idade", disse, Aparecida de Brito Ferreira, de 35 anos, irmã mais velha de Daniel, que hoje passou o dia na delegacia, à espera da documentação para liberar o corpo no Instituto Médico-Legal. "E
mesmo que se arrependa, isso não vai trazer o Daniel de volta."
Ele era o penúltimo de uma família de sete irmãos, filhos de Moacir e Maria do Socorro. "Era simples, alegre, gostava de ouvir música, empinar pipa e andar de skate", contou Aparecida. "Deviam ensinar às crianças o amor e o perdão."


