Rio - O médicos que operaram a estudante Luciana Gonçalves de Novaes, de 19 anos, disseram hoje ser cedo para avaliar se ela ficará com movimentos de braços e pernas comprometidos. A jovem permanecerá em coma induzido, respirando por aparelhos, pelo menos até segunda-feira.
''É impossível prever qual o quadro neurológico dela enquanto não suspendermos a sedação'', disse o neurocirurgião João Augusto Nasser. Ele afirmou que o quadro clínico de Luciana é ''estável'', mas ela ainda corre risco de vida. Luciana foi operada anteontem, no Hospital Pró-Cardíaco, para a retirada da bala e a colocação de duas próteses em sua coluna. A estudante foi ferida segunda-feira, dentro do câmpus da Universidade Estácio de Sá, por disparos provenientes do Morro do Turano.
''Nos primeiros sete dias, a gente luta para manter a vida. Ninguém discute sequelas, problemas neurológicos.'' De acordo com os médicos, a estudante já está sendo submetida a fisioterapia para facilitar a ventilação das vias respiratórias e a drenagem das secreções pulmonares. Na próxima semana, a paciente deve ser submetida a uma cirurgia de reconstituição da mandíbula, atingida pela bala que se alojou em sua coluna. Por três meses, a estudante vai usar um colete cervical.
O tiro que feriu Luciana foi disparado do Morro do Turano, nos fundos da universidade, em represália a uma operação policial feita no dia 2. Um traficante morreu e dois moradores do morro estão desaparecidos. Os nove policiais militares envolvidos na ação foram presos por determinação da Secretaria da Segurança Pública.

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