Estudante fere 6 em ataque a escola nos Estados Unidos Da correspondente Monica Yanakiew
Washington, 20 (AE) - Um jovem norte-americano de 15 anos brigou com a sua namorada, agarrou um rifle e uma pistola, foi até a sua escola em Atlanta (no estado da Georgia), atirou contra seis colegas e ameaçou se matar. "Meu Deus, tenho tanto medo", disse antes de se entregar.
Ninguém morreu. Mas esse ato de violência ocorreu exatamente um mês depois do massacre de Littleton e no momento em que o Congresso discutia uma lei limitando a venda de armas nos Estados Unidos. O Senado acabou aprovando a legislação por um voto.
No dia 20 de abril, dois adolescentes invadiram a escola de Columbine, em Littleton - um subúrbio rico do estado de Colorado. Tinham consigo bombas, capazes de explodir todo o prédio. Mas optaram por atirar contra seus colegas, matando 12 deles e um professor. Depois se suicidaram.
Desde então, o presidente norte-americano Bill Clinton voltou a insistir na necessidade de controlar a venda de armas nos Estados Unidos, enfrentando poderosos lobistas. Hoje, ele tinha previsto visitar Littleton, para falar com os sobreviventes do massacre. Mas antes de seu embarque, foi informado de outro episódio de violência escolar.
"O que aconteceu aqui, em Columbine, perfurou o coração da América", disse hoje a primeira-dama, Hillary Clinton, no seu discurso, que teve de ser modificado na última hora.
Considerada a candidata ideal ao Congresso norte-americano, ela tentou transmitir segurança num país que nem sabe por qual motivo está bombardeando a Iugoslávia, muito menos por qual motivo seus filhos matam colegas de escola.
Clinton - preocupado hoje com a guerra em Kosovo e a paz no Oriente Médio - tampouco soube explicar o que estava acontecendo. "Vocês têm a chance única de mostar que as crianças de Columbine que nunca serão esquecidas", disse.
O tiroteio em Atlanta aconteceu no exato momento em que o Senado norte-americano debatia uma lei limitando a venda de armas. E, de certa forma, o episódio foi decisivo. O vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, votou a favor da proposta de seu Partido Democrata, obrigando os vendedores de armamentos a investigar o passado de seus clientes antes de fechar um negócio.
A nova lei determina que o FBI terá até 72 horas para investigar a vida dos norte-americanos que quiserem realizar compras de armamentos em feiras ou que quiserem resgatar armas penhoradas. Até ontem, os republicanos insitiam que o prazo de investigação deveria ser de apenas 24 horas.
Hoje, na hora de votar a nova lei no Senado, houve empate. Coube ao vice-presidente, Al Gore, romper o impasse e aprovar a nova legislação, que só será implementada depois de ter sido submetida à Câmara dos Deputados, daqui a quatro ou cinco meses.
Nos últimos dois anos, 30 pessoas morreram em tiroteios em escolas. Em outubro de 1997, um rapaz de 16 anos do estado de Mississippi matou a mãe, atirou contra nove colegas de escola e matou dois deles.
Em dezembro do mesmo ano, outro adolescente de 14 anos matou três colegas e feriu outros cinco numa escola do Kentucky. Uma menina ficou paralisada. Três meses depois, quatro meninas e uma professora foram assassinadas por outro jovem de 14 anos.
Em maio de 1998, um jovem de 18 anos matou um colega de colégio e, dois dias depois, outro rapaz de 15 anos foi acusado de assassinar seus pais e dois adolescentes. Mas a pior tragédia foi a de Columbine, no dia 20 de abril.
"Vocês podem nos ajudar a construir um futuro melhor para nossas crianças", disse Clinton, no discurso em Littleton. Mas a grande batalha será convencer o lobby dos vendedores de armas.





