Rio, 09 (AE) - "Será mesmo necessário uma greve de fome para conseguir estudar?" Portando uma faixa com estes dizeres, o estudante de direito Edson Alves Silva Júnior, de 38 anos, iniciou hoje uma greve de fome em frente ao Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos, em Campo Grande, na zona oeste, onde esta acampado desde a manhã. Ele protesta contra a recusa da universidade em aceitar a renovação de sua matrícula, por causa do atraso nas mensalidades. "Tento negociar há um mês, mas eles estão irredutíveis", afirmou. "Não vou parar de estudar e só saio daqui se a direção aceitar um acordo". A reportagem tentou contato com a direção da universidade, mas não localizou nenhum diretor que pudesse falar em nome da entidade.
Silva está desempregado e atrasou o pagamento de dez mensalidades, o que equivale a R$ 3 mil. "Pedi que eles esperassem que eu recebesse a restituição do imposto de renda, mas o diretor financeiro exigiu R$ 1,6 mil no ato da renovação da matrícula", contou. Os colegas de Silva se uniram e conseguiram R$ 700,00, mas a direção da universidade não aceitou. O prazo para a renovação de matrícula encerra-se amanhã (10).
Esta não é a primeira vez que Silva fica inadimplente, mas sempre conseguiu negociar a dívida. "Acredito que essa atitude seja em represália a nossa luta para a criação do Diretório Central dos Estudantes", disse. Ele também participou de reivindicações para melhoria do curso de direito, que teve conceito E no Exame Nacional do Ensino Superior, o provão, do ano passado.
Hoje pela manhã, colegas de Silva interromperam o trânsito da Rua Engenheiro Trindade e prometiam novas manifestações para a noite. Durante todo o dia, o estudante recebeu apoio de pessoas que passavam pelo local, como o auxiliar administrativo Almir Anísio de Olivério. Segundo ele, em 1997 foi obrigado a abandonar o curso de administração por não ter dinheiro para pagar a matrícula. "Eu nem estava inadimplente", contou.

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