São Paulo, 14 (AE) - O estudante Daniel Marques Apolinário, de 16 anos, filho de um empresário do ramo de transportes, foi sequestrado na noite de ontem em no Jardim Japão, zona norte de São Paulo. Dois homens levaram o rapaz para um terreno em Guarulhos, na Grande São Paulo, e dispararam três tiros contra ele. Os sequestradores acertaram o olho esquerdo, o braço esquerdo e a barriga de Daniel. Acreditando que ele estivesse morto, foram embora. Passaram a telefonar para a casa do estudante informando que ele estava sequestrado e queriam R$ 500 mil para libertá-lo. Apesar de ferido com gravidade, Daniel conseguiu pedir ajuda ao encanador Miguel de Paulo. Ele foi levado para o Pronto Socorro Dona Luísa, em Guarulhos, onde informou o número do telefone da casa dos pais para um investigador. Com base nos dados fornecidos pelo estudante, a polícia prendeu durante a madrugada M.A.L., de 21, amigo de Daniel, que está sendo investigado.
A história contada por M. foi aceita com reservas pela polícia que espera ouvir Daniel assim que ele for liberado pelos médicos do Hospital Sírio Libanês, onde está internado e submetido a cirurgia para a extração dos projéteis. Segundo M., ele e Daniel estavam conversando na porta do Colégio Vila Maria, na Avenida Cerejeiras, no Jardim Japão, onde estudam. Passava das 19 horas quando uma caminhonete Fiorino parou próximo a eles
com dois homens dentro. Telefonemas - Eles alegaram que motor estava falhando e pediram aos dois rapazes para empurrar. "No momento em que nos aproximamos, eles mostraram dois revólveres e nos obrigaram a entrar no carro", declarou M. Eles seguiram para o bairro das Pimentas, em Guarulhos e, na Rua Ituaçu, Jardim Guilhermino, os dois rapazes foram obrigados a descer da Fiorino. "Os homens atiraram no Daniel e mandaram eu conseguir dinheiro", disse M. aos policiais.
Ele teria sido levado para a zona norte e liberado pelos sequestradores. O primeiro telefonema para a casa de Daniel foi às 21 horas, quando foram pedidos R$ 500 mil. Antes da meia-noite os pais do estudante, Walmir Apolinário e Maria de Lourdes, receberam o telefonema do hospital. A irmã de Daniel Fabíola disse que depois da meia-noite M. telefonou perguntando se Daniel já estava em casa. Uma moça que disse chamar-se Mônica e ser amiga de Daniel também telefonou por volta da meia-noite e meia. "Ela disse que queria falar com meu irmão para discutir sobre um trabalho de escola", contou Renata, irmã mais nova de Daniel.
A polícia suspeita que Daniel conhece um dos sequestradores, possivelmente ex-empregado se pai e, por isso, tentaram matá-lo antes do pedido de resgate. Os policiais da Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), da Seccional de Guarulhos, diante da falta de meios do 4.º Distrito Policial para apurar o caso, assumiram as apurações e efetuaram a detenção de M. No fim da manhã, como não chegaram a nenhuma conclusão, tentaram passar o caso para a Divisão Anti-Sequestro, mas não tiveram sucesso e continuam apurando. Daniel é sobrinho do ex-deputado federal Carlos Apolinário.

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