Estudante é morto em frente da quadra da Gaviões durante comemoração do título
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Fabiana Gitsio 
São Paulo, 18 (AE) - Lembra de mim? O estudante Sidney Olivares Martins Júnior, de 20 anos, nem teve tempo de responder. Perto da meia-noite de ontem ele levou vários tiros perto de uma barraquinha de lanches em frente da quadra da Gaviões da Fiel, no número 138, da Rua Cristina Tomás, no Bom Retiro, e morreu. O rapaz tinha ido comemorar a vitória de sua escola. Cerca de 40 minutos antes protegeu duas moças do assédio de Wellington Rogério de Lima Oliveira, de 20, e de Luís Henrique da Silva, de 19. Antes de sumir na multidão, a dupla o ameaçou de morte.
Os dois tentaram fugir a pé pela Rua Javaés após os tiros, mas foram presos em flagrante e levados ao 2.º Distrito Policial. Oliveira, auxiliar de departamento jurídico, portava uma pistola 765. Testemunhas contaram à delegada Maria José Figueiredo que os três tiros que mataram o estudante foram dados por ele. Silva, que é desocupado, levavava um revólver calibre 38. Para evitar a perseguição, ele teria disparado seis tiros contra a multidão. As moças não foram identificadas. Segundo amigos da vítima, Martins teria feito bico como segurança nos desfiles, no sambódromo. Dor e revolta - Hoje, vários amigos de Martins - a maioria jovens - compareceram a seu enterro no Cemitério do Horto, na zona norte. Ele era figura muito querida na Vila Brasilândia, bairro em que morava com os pais e os irmãos. Por ser gordinho, com jeitão de nenê, era conhecido por Pampers, uma alusão às fraldas.
"Não valeu de nada termos conquistado o campeonato", disse seu colega Sidnei dos Santos, de 17 anos, corintiano roxo como a vítima. Eles conheceram-se há pouco tempo, quando viajaram juntos para conferir o desempenho do time em Porto Alegre. Seis integrantes da Gaviões da Fiel foram prestar solidariedade à família. "Acabou com o nosso coração", disse um deles, que não quis se identificar. Ele acha que a dupla deve ter ido à comemoração só para beber cerveja. "Isso prejudica nossa entidade; estamos concientes de que essas festas terão de ser no Anhembi".
No velório, os Gaviões deram gritos de guerra e bateram palmas. A mãe do rapaz, a professora Marli Martins, mal conseguia falar. Renata Oliveira, outra amiga de Martins, não parava de chorar. "Não podemos mais nem sair à rua e a Polícia não faz nada", reclamou. "Ele morreu pelo Corinthians", comentou o tio do rapaz, o advogado João Costa, preocupado com o aumento da violência.


