Estudante é morto dentro de escola; pai é suspeito
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Natalie Antar, especial para a AE 
São Paulo, 19 (AE) - O estudante Alex Sandro Honorato de Almeida, de 19 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça dentro da Escola Estadual Jardim Pinheiro, no município de Arujá
na Grande São Paulo, no início da noite de ontem. O aluno, que cursava a 8ª série do 1º grau, conversava com alguns amigos no pátio do colégio, próximo da sala dos professores, quando foi atingido pelo disparo. O assassino não tinha sido identificado pela polícia até o começo da noite. Segundo testemunhas, ele é jovem e teria entrado na escola pelo portão da frente. Após o tiro, o criminoso fugiu correndo. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia do município.
Por volta das 19 horas, os estudantes do horário noturno preparavam-se para entrar nas salas de aula. Muitos ainda estavam nos corredores e pátio, conversando em grupo. Era o caso de Almeida, quando um rapaz desconhecido invadiu o colégio e efetuou apenas um disparo em direção ao estudante. O tiro atravessou a cabeça do jovem. Apavorados, os outros alunos começaram a correr procurando um abrigo. O assassino aproveitou para fugir pelo mesmo portão por onde entrou. Almeida foi levado por homens do Corpo de Bombeiros para o hospital municipal da cidade, mas morreu após dar entrada. No chão do pátio da escola ficou a marca da violência: muito sangue e um gorro vermelho, que o estudante usava. Hipótese - Segundo a polícia, há três hipóteses para o crime: dívida de drogas, briga por causa de uma namorada, ou a versão que a própria mãe do estudante, a dona de casa Cleusa das Dores Fernandes, aponta. Ela acusa seu marido como o mandante do crime. "Segundo a mãe do estudante, o próprio pai poderia ter mandado matar o filho", disse o delegado Jackson César Batista. "Ela contou que o pai da vítima sempre chegada bêbado em casa e tentava agredi-la; para defender a mãe, o estudante atacava e batia no pai".
"Cleusa afirmou que, na última briga, no domingo, o pai chegou a falar que mandaria matar o garoto", disse o delegado. "Aqui na delegacia, já existia três queixas feitas pelo próprio pai do estudante, em que ele acusa o filho de agressão", disse. "Ainda estamos apurando o caso, mas a mãe do rapaz foi muito convincente, além disso ainda não conseguimos localizar o pai do estudante", completou o policial. Segundo ele, em 1997 Almeida foi acusado de roubar uma bicicleta na região.
Hoje, no portão da Escola Estadual Jardim Pinheiro, havia um cartaz avisando que as aulas foram suspensas por motivo de luto. O estudante foi enterrado no Cemitério Municipal de Arujá. Policiamento - De acordo com a capitã do Comando de Policiamento Feminino, Maria Aparecida Yamamoto, não é apenas a polícia nas escolas que vai acabar com a violência. Segundo ela, toda a comunidade precisa estar envolvida. "Todos precisam participar, os pais e os vizinhos são importantes nessa luta", disse.
A policial informou que na capital há 1.002 escolas que fazem parte do Programa de Segurança nas Escolas, mas as escolas que estão localizadas no interior ou nos municípios da Grande São Paulo não estão incluídas nesse trabalho. "Temos 1,6 mil policiais fixas espalhadas nas escolas da capital", relatou. Nas outras localidades, como Arujá, por exemplo, a segurança é de responsabilidade do Comando de Policiamento de área de cada região.


