São Paulo, 29 (AE) - O estudante Fábio Faquim de Oliveira, de 17 anos, foi assassinado com 14 tiros pelo corpo, principalmente na cabeça, na noite de sexta-feira. O crime ocorreu três dias antes da data marcada para Oliveira ir à Corregedoria da Polícia Militar tentar reconhecer os policiais que o espancaram em 30 de outubro.
Na hora do crime ele conversava com um grupo de amigos na Rua José Benedito Pinto, na região da Vila Brasilândia, zona norte da capital. O auxiliar de escritório Fernando Leandro da Silva, de 21 anos, foi atingido por um tiro e também morreu.
Dois policiais do 18.º Batalhão da Polícia Militar estão presos na corregedoria sob suspeita de envolvimento no caso. Mas
segundo a polícia, ainda é cedo para afirmar qualquer participação desses policiais.
Segundo testemunhas, eram 23 horas quando o estudante conversava tranquilamente com alguns amigos na calçada. De repente, uma moto cinza ocupada por dois homens usando capacetes com visor negro e luvas parou na frente dos rapazes. O homem que estava na garupa da moto sacou uma pistola e, sem dizer nada, começou a disparar.
Em seguida os assassinos fugiram na moto. Oliveira e Silva, que foi atingido no olho, foram levados para o Hospital Municipal da Vila Penteado, onde morreram. A família do estudante acredita que os policiais militares que o flagraram em 30 de outubro, com uma pequena quantidade de maconha e dirigindo uma moto sem carteira de habilitação, foram os responsáveis pelo crime.
Na ocasião, Oliveira foi levado pelos PMs ao 45.º Distrito Policial, na Vila Brasilândia, que é a delegacia do bairro. Ele estava com lesões na orelha, boca e nádegas. Por isso, ele e sua mãe resolveram registrar um boletim de ocorrência por abuso de autoridade. O reconhecimento dos agressores seria feito amanhã (30).
Enterro - O estudante foi enterrado na manhã de ontem (28) no Cemitério da Lapa. De acordo com Luís Faquim, avô de Oliveira, todos estão com muito medo de represálias. "Estamos desesperados com tudo isso que aconteceu, pois meu neto era muito querido por todos aqui", disse. "Agora a única coisa que podemos exigir é justiça."

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