Estudante é morta no local de trabalho
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sexta-feira, 11 de julho de 1997
Agência Estado Rio 
A estudante de direito e secretária Luciana Pereira, de 22 anos, foi estrangulada e afogada em um galão de água mineral na sede da Federação Nacional dos Aeronautas e Aeroviários, no centro do Rio. A polícia desconfia que o autor do crime, ocorrido anteontem à tarde, seja um funcionário do prédio ou algum conhecido da vítima, mas não há pistas.
Luciana foi enterrada, ontem à tarde, no Cemitério Corte Oito, no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, bairro onde morava com a família. No enterro, familiares levantaram a possibilidade de Luciana ter sido estuprada antes de ser morta. Uma prima da garota, Solange Santana, revelou que havia manchas de sangue nas roupas íntimas dela. O perito do Instituto Médico Legal (IML), Ivan Camargo, porém, descartou essa hipótese. Ele explicou que é comum a ocorrência de hemorragias em casos de estrangulamento. Segundo ele, Luciana morreu no início da tarde de anteontem, quando não havia ninguém na federação.
O corpo foi encontrado, às 4 horas de ontem, por um dos diretores da entidade, Oswald Rotband, o namorado Antônio Gobgo e a amiga Heloísa Lourenço de Souza. Eles saíram em busca da jovem a pedido da família dela. Rotband contou que foi ao escritório por ter sido este o último lugar onde Luciana foi vista. Após abrir a porta da sala (que não estava trancada), Rotband entrou e viu o corpo da moça no chão. Nada foi mexido, roubado e nem a porta arrombada, constatou.
Segundo ele, Luciana, estudante de direito da Sociedade Universitária Augusto Mota (Suam), foi vista pela última vez às 11h30 de quinta-feira pelo namorado. Uma hora depois, ela telefonou para Heloísa e a convidou para almoçar, mas não compareceu ao compromisso. Há dois anos, ela trabalhava como secretária da federação. Ficava sempre sozinha e costumava manter a porta do escritório trancada. Sua falta só foi sentida pela família, à noite.
Segundo o delegado da 1ª Delegacia Policial, na Praça Mauá, Sérgio Domingues Aranha, que investiga o caso, Luciana foi estrangulada e seu corpo arrastado até o galão de água mineral, onde teve a cabeça submersa e tampada por uma caixa de papel fechada com disquetes no seu interior. Em seguida, o criminoso amarrou as mãos dela para trás com fio telefônico e ainda o enrolou no pescoço da moça. Ela abriu a porta para o criminoso, afirmou Aranha. Não houve reação.
O delegado acrescentou que Luciana providenciou a troca da fechadura da porta do escritório, no dia 2 de junho, após ter a carteira roubada dentro de sua própria sala. O presidente da federação Pedro Azambuja disse que Luciana era uma excelente funcionária, uma pessoa tranquila e nunca havia feito comentários a respeito de problemas particulares. Foi uma coisa tão triste, que nem consigo falar, disse, bastante emocionado.
O delegado Aranha disse que fará uma espécie de mapeamento das circunstância do crime para definir quem deverá ouvir segunda-feira. Mas é praticamente certo que ouvirá os funcionários e os diretores da federação.


