Ribeirão Preto, SP, 19 (AE) - O estudante Jair Galassio Filho, o Branco, de 17 anos, foi assassinado, hoje pela manhã, dentro do pátio da Escola Estadual de 1º Grau Professor Rafael Leme Franco, no bairro Monte Alegre, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Ele levou um tiro no peito, quando estava ao lado da quadra de esportes, e morreu logo em seguida, ao ser socorrido. Josana Carla da Silva, de 13 anos, também atingida com um tiro num dos pés, foi encaminhada à Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC). A polícia apreendeu dois menores suspeitos - um deles assumiu a autoria do crime.
Branco, filho de um policial militar aposentado, cursava a 7.ª série. Estava perto da quadra porque havia ido para a aula de educação física, da 8.ª série, por ter chegado atrasado. Por volta de 8h40, o estudante foi chamado por garotos que estavam na rua e se aproximou do muro da escola, cuja parte superior é de blocos de concreto vazados. Houve uma discussão e um dos garotos que estava do lado de fora sacou uma arma e disparou alguns tiros na direção do pátio. Branco e Josana foram os únicos estudantes atingidos. A polícia informou que foram encontradas cinco cápsulas deflagradas.
Policiais que faziam a ronda escolar estavam próximos do local, ouviram os tiros e conseguiram apreender o menor N.A.S., de 13 anos. Detido, ele informou à polícia que estava com W.R.M.S., de 15 anos, preso logo depois. N.A.S. assumiu a autoria dos tiros, mas a arma usada, uma semi-automática 380, não foi localizada. Os dois menores foram conduzidos à Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem). Cautela - Segundo o delegado do 3.º Distrito Policial, Marcos César Borges, responsável pelas investigações, "muita coisa foi dita após o crime". "Teremos cautela para apurar tudo", ressalta. Sua preocupação é justificável. Um adolescente, de 14 anos, que mora perto da escola, por exemplo, afirma ter visto os autores dos disparos. "Não foi o N.A.S. quem atirou, foi o Garça, que é maior de idade", garante o menino. "O Dadinho, irmão do Garça, estava junto, só que menor vai para a Febem e logo o N.A.S. estará solto", completa.
O adolescente afirma, ainda, já ter sido baleado, na perna, por Garça. O menor que teria testemunhado o crime vai mais longe. Conta que os criminosos se desentenderam com Branco em razão de uma briga anterior, ocorrida numa festa, envolvendo uma mulher. "O Garça já tinha dado um tiro no braço do Branco".
Em razão do incidente de hoje, a escola só retomará as aulas na quinta-feira. A diretora da instituição, Celia Gracia Cocarelli Lorenzato, reuniu-se durante a tarde com os professores, para analisar a situação. No ano passado, o ex-diretor foi vítima de atentado. "Estamos enfrentando um problema social, que gera um medo muito grande", diz Celia. "É preciso fazer um trabalho com os jovens, que estão desequilibrados; quem disparou a arma também é uma vítima".

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