Salvador, 06 (AE) - O estudante Adriano Rodrigues, de 20 anos, foi arrastado ontem (05) pela correnteza do rio da Capivara, no Parque Nacional da Chapada Diamantina. Saulo Pereira, que estava com Rodrigues na Cachoeira da Fumaça, contou que os dois foram surpreendidos pela cheia do rio, provocada por uma tromba dágua, quando contemplavam uma das belas paisagens da região. Pereira se salvou porque se agarrou a uma pedra. Até hoje à tarde o corpo de Rodrigues não havia sido encontrado.
O chefe do escritório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eugênio Fagundes, disse que os dois amigos chegaram ao mirante da cachoeira, a uma altura de 422 metros, por volta das 14 horas de sexta-feira. O acidente aconteceu na descida da cachoeira, no município baiano de Palmeiras."Choveu muito na cabeceira e o rio encheu rapidamente, surpreendendo os turistas, que estavam sem guia", disse Fagundes.
Segundo Fagundes, é a terceira vez nos últimos três anos que um turista morre na cachoeira, uma das mais altas quedas livres da América Latina. Tão alta que recebe este nome porque a água evapora e dá a impressão de virar fumaça durante a queda. Outra turista morreu no município de Lençóis, ao acampar no leito de um rio que encheu subitamente, enquanto um mergulhador ficou preso na gruta dos Impossíveis, em Palmeiras.
Criado em 1985, o parque não foi sequer regulamentado e dispõe de cinco funcionários para 152 mil hectares de grutas, canions, rios e vegetação única no mundo, de acordo com estudo do Jardim Botânico da Inglaterra. Os turistas não têm qualquer orientação e nem sempre dispõem de guias, mas o fluxo vem aumentando, depois da inauguração do aeroporto de Lençóis e a ampliação da rede hoteleira na região.

mockup