O estudante de medicina Leonardo Guandalini, 25, foi denunciado pela 14ª Promotoria de Justiça de Londrina por homicídio com dolo eventual. Na madrugada do dia 23 de maio do ano passado, Guandalini saiu de um bar na região central de Londrina e, na rotatória no cruzamento das avenidas Maringá e Castelo Branco, cruzou a preferencial e atingiu o carro de Mário Laurentino Lisboa, 49, que morreu no local. O jovem chegou a ser preso em flagrante, mas foi liberado após o pagamento de R$ 20 mil em fiança.

Inicialmente, o caso foi tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Entretanto, indícios como a comanda do bar em que Guandalini estava e imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos próximos ao local foram cruciais para que a investigação mudasse de rumo.

Na última quinta-feira (3), o réu foi denunciado por homicídio com dolo eventual, já que assumiu o risco de matar. Caso seja condenado, a pena pode chegar a 20 anos de prisão. Guandalini já tinha uma passagem pela polícia por ameaça contra uma mulher em 2017, em Maringá.

Tiago de Oliveira Gerardi, promotor da 14ª Promotoria de Justiça de Londrina, responsável pela denúncia, relatou que, por volta da 1h20 da madrugada do dia 23 de maio de 2022, na rotatória, “o réu, consciente da ilicitude e reprovabilidade de sua conduta, assumindo o risco de produzir o resultado morte, transitava em alta velocidade com seu veículo”.

Além do fator velocidade, o promotor justificou que ele estava “com a capacidade psicomotora alterada em razão de substâncias psicoativas”. Ao desrespeitar a preferencial, o réu colidiu com o veículo de Mário Laurentino Lisboa, que morreu no local.

Rafael Soares, advogado que representa Leonardo Guandalini, disse que só vai se manifestar durante o processo.

Raquel Rodrigues, 52, viúva da vítima, conta que o marido estava voltando do trabalho quando sofreu o acidente. Segundo ela, Lisboa não costumava trabalhar aos domingos, mas naquele dia estava ajudando a carregar um caminhão com placas de móveis que iria para o Rio de Janeiro.

“Desde que aconteceu tudo isso, a vida da gente muda, não é mais a mesma, tudo vira de ponta cabeça”, explicou. A viúva conta que ficou indignada pelo fato de Guandalini ter sido liberado após o pagamento da fiança. “Eu não gosto de usar esse termo, mas ele tirou [a vida do meu marido] porque se ele tivesse juízo ele não estava naquele horário bêbado”, afirmou.

“Eu espero que em primeiro lugar ele pague pelo que fez para servir de exemplo para que isso não aconteça mais. A gente vê famílias destruídas e isso compromete o emocional das pessoas para o resto da vida. E eu tenho que segurar a onda de todo mundo lá em casa, mas não é fácil”, admitiu.

Rodrigues é responsável pelo sustento da casa em que vive com as três filhas do casal, de 12, 15 e 33 anos, e espera pelo resultado do pedido de indenização. “A gente espera que ele cumpra o que tem que comprir e também que tenha a responsabilidade de indenizar a gente por todo o estrago que ele fez”, explicou.

Mário Barbosa, que representa a família de Mário Laurentino Lisboa, disse estar satisfeito por Leonardo Guandalini ter sido denunciado por homicídio com dolo eventual, já que “ele assumiu o risco de tirar a vida” da vítima. Segundo ele, três fatores levaram o crime a ser caracterizado com dolo eventual: o avanço na preferencial, o excesso de velocidade e a embriaguez no volante. “Todos esses fatores nos dão a convicção de que ele assumiu o resultado de tirar a vida de alguém”, ressaltou.

Segundo ele, a comanda do bar do réu indicava que ele tinha consumido mais de R$ 1 mil em bebidas alcoólicas. Segundo ele, agora vão ser ouvidas testemunhas de acusação, de defesa e, por fim, o réu. Ainda sem prazos definidos, após essa etapa, será definida uma sentença, indicando se o réu será julgado por meio de júri popular. “Esse é o nosso desejo [que ele vá para júri popular]”, finalizou.

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