Estudante de 15 anos ganha coração novo
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quarta-feira, 09 de junho de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O estudante Adriano da Silva, de 15 anos, há 22 dias, ganhou um coração novo e a esperança de retomar os estudos e o trabalho no sítio da família, em Terra Roxa (132 quilômetros a oeste de Cascavel). Foi o primeiro transplante do Paraná realizado com sucesso em um adolescente. A cirurgia envolveu uma equipe de 15 médicos do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba.
Os médicos diagnosticaram em Adriano uma doença pouco comum em crianças e adolescentes: a miocardiopatia dilatada ou dilatação do músculo do coração, que faz o órgão perder sua força de contração. O médico do Hospital Pequeno Príncipe, Leonardo Cavadas Soares, que acompanha Adriano desde o diagnóstico, explicou que, normalmente, nessa faixa etária a doença surge depois de processos inflamatórios. Na maioria dos casos, as dilatações são reversíveis e em cerca de 20% dos pacientes evolui para um quadro mais grave.
De acordo com Soares, Adriano chegou em um estágio em que ele sentia cansaço até para escovar os dentes. O adolescente aguardava o transplante a um ano. O agravamento de seu quadro clínico levou os médicos a colocarem Adriano como prioridade no transplante.
Adriano recebeu o coração de um jovem de 24 anos, vítima de acidente de trânsito, em Curitiba, que teve morte cerebral. A cirurgia para retirada do coração foi feita no Hospital Evangélico pela equipe do Pequeno Príncipe. A cirurgia para o implante do coração no adolescente durou cerca de três horas e meia.
Soares contou que Adriano teve a sorte de encontrar um doador compatível um dia depois de ser listado como prioridade e o adolescente vem apresentando uma boa recuperação. Em três semanas, ele poderá ter alta hospitalar, mas deverá permanecer em Curitiba nos próximos três meses para acompanhamento médico. Segundo Soares, esse é o período mais crítico em relação à possibilidade do organismo rejeitar o coração transplantado e ao risco de infecção.
Para o médico, Adriano vai entrar agora em uma fase de adaptação à sua nova condição e já terá uma vida normal assim que deixar o hospital. ''Claro que com algumas limitações por causa do risco de infecção'', observou. Mas o próprio adolescente já revela outra disposição. ''Antes do transplante eu vomitava muito, ficava cansado e tinha muita tontura. Não conseguia nem comer direito. Agora estou bem. Não tenho mais canseira'', disse ele.
Não existem dados estatísticos sobre o tempo médio de sobrevida dos transplantados, mas Soares afirma que, cada vez mais, em função da vigilância, do aprendizado e de drogas novas esse tempo tem melhorado.


