Estudante confessa ter planejado morte dos pais
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sábado, 09 de novembro de 2002
Fabio Diamantee Katia Azevedo<br> Agência Estado 
São Paulo - ''Por amor''. É a explicação de Suzane Louise von Richthofen, de 19 anos, para o fato de ter planejado o assassinado seus pais. O engenheiro Manfred Albert von Richthofen, de 49 anos, e Marísia von Richthofen, de 50, foram mortos na noite do dia 30, enquanto dormiam, com golpes de barra de ferro na cabeça, pelo namorado de Suzane, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, de 21, e pelo irmão dele, Christian, de 26. Os três confessaram ontem. O motivo? Os pais de Suzane não queriam o namoro com Daniel.
O casal foi o mentor do crime, segundo afirmou o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Domingos Paulo Neto. O plano começou a ser traçado há dois meses.
Daniel não podia frequentar a casa da namorada e os encontros ocorriam praticamente às escondidas. Em meio a dezenas de jornalistas, após entrevista coletiva que anunciou o desfecho do caso, Daniel repetiu uma única vez as palavras da namorada: ''Foi por amor.''
A confissão, na madrugada de ontem, foi rica em detalhes e feita de forma fria. ''Ela narra com certa tranquilidade o ocorrido'', disse a delegada Cintia Tucunduva Gomes, titular da equipe C-Sul da Divisão de Homicídios e responsável pelo inquérito. Os três vão responder por duplo homicídio qualificado e furto. Podem ser condenados a penas de 25 a 64 anos. Christian também vai ser processado por porte de droga, pois acharam maconha na casa dele.
O planejamento do crime foi meticuloso. Era preciso tirar o irmão de Suzane, Andreas, de 15 anos, de casa. Por causa do horário, ele foi convencido pelo casal a sair escondido. O garoto colocou dois travesseiros cobertos em sua cama para simular que estava dormindo.
Daniel foi buscá-lo por volta das 22h30. Suzane estava na casa do namorado. Os três saíram. Andreas foi deixado no cyber-café Red Play, na Rua Doutor Jesuíno Maciel, no Campo Belo. Christian já estava por lá. O combinado é que ele deveria esperar o irmão e a cunhada na esquina.
Os três, no Gol de Suzane, seguiram para a casa das vítimas. Deixaram o carro na garagem. A primeira a entrar foi a filha, que subiu para ver se os pais estavam mesmo dormindo. Os dois irmãos entraram no quarto com as barras de ferro. Daniel se encarregou de Manfred e Christian, de Marísia. Foram seis ou sete golpes. Marísia sofreu mais. Ela tentou se proteger com a mão e teve os dedos quebrados pelas pancadas.
Afoito, Christian colocou uma toalha na boca da vítima, para barrar a respiração dela. Em seguida, colocou um saco de lixo na cabeça da vítima para, por fim, esganá-la. A violência foi tanta que um osso do pescoço foi fraturado.
Daniel colocou outra toalha no rosto de Manfred. Suzane havia revelado um compartimento secreto onde ficavam escondidos um revólver calibre 38 e jóias. Daniel pegou a arma e colocou-a perto da mão do engenheiro. Parte das jóias foi espalhada pelo quarto. Alguns itens foram levados.
Numa maleta, estavam guardados cerca de R$ 8 mil e US$ 5 mil. Os irmãos pegaram uma faca na cozinha e rasgaram a mala para pegar o dinheiro. Deixaram luzes acesas e a porta de entrada da sala aberta.
Álibi - Suzane e Daniel deixaram Christian em casa e seguiram para o Motel Colonial, na Avenida Ricardo Jafet. Entraram à 1h36. Pediram uma Coca-Cola às 2h05 e saíram às 2h56.
Os dois pegaram Andreas no bar e seguiram para a casa de Daniel. Lá (uma pequena rua sem saída), o garoto andou de mobilete. Por volta das 4 horas, voltou para casa com a irmã. Na mansão, Suzane fingiu ficar nervosa ao encontrar luzes acesas, portas abertas e a biblioteca revirada. Ligou para o namorado, que falou para ela não ir até o quarto dos pais, sair da casa e ligar para a polícia. Foi o que ela fez. No domingo, quatro dias após o crime, a jovem comemorou seu aniversário com uma festa, num sítio no interior.


