O estudante Vitor Alexandre dos Santos, 21 anos, disse à polícia ter asfixiado até a morte sua mãe, Marli Ferreira dos Santos, 50 anos, depois de discutir com ela sobre sua paternidade, que nunca fora reconhecida. A confissão, feita anteontem à noite, começa a esclarecer o mistério que envolve as mortes de quatro pessoas da família do estudante, na casa onde ele morava, em menos de seis meses. Ele negou envolvimento com as outras mortes - da avó e de um casal de tios. Para o delegado Natanael Pinheiro da Silva, ele continua sendo o principal suspeito.
Vitor contou ao delegado que se exaltou ao discutir com a mãe sobre sua paternidade e desferiu socos na barriga dela, derrubando-a. Ele então pegou um saco plástico, enfiou na garganta da mãe e segurou até se certificar de que estava morta. O plástico não foi localizado. Para a polícia, o crime foi premeditado. Somente o estudante e sua mãe estavam na casa.
Vitor condicionou a confissão a uma conversa que queria ter com o suposto pai. O advogado e comerciante Cyl Matara, considerado pai biológico do estudante, falou com ele na delegacia um dia antes da confissão. Segundo o delegado, Matara assumiu dar assistência médica e jurídica a Vitor. As informações estão no interrogatório, que foi presenciado pelo presidente da OAB local, João Rizoli, e pela promotora de Justiça Regislaine Topassi.
A polícia investiga se um incêndio na loja de Matara, pouco antes de começar a sequência de mortes, tem relação com os fatos. Marli, que morava em São Paulo, tinha ido para Mirandópolis (605 km a noroeste de SP) para o velório de sua irmã, Maria Terezinha dos Santos Crevelaro, que aparecera morta seis dias antes.
Dez dias antes da morte de Maria Terezinha, o corpo de seu marido, José Carlos Crevelaro, foi encontrado na loja de móveis da família, na parte inferior do prédio. Em maio, o corpo da avó do estudante, Lúcia Delai dos Santos, foi encontrado debaixo da cama, com sinais de espancamento. O corpo de Marli dos Santos foi exumando ontem à tarde para exames complementares do Instituto Médico Legal. A perícia foi feita no próprio cemitério. Informações preliminares do instituto apontaram morte natural. Vísceras do cadáver foram enviadas para novos exames em São Paulo. O delegado disse que pedirá exumação dos outros três corpos. Preso temporariamente, o estudante só será indiciado, segundo o delegado, depois de concluídos todos os exames.

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