Estudante atacado por tubarão não corre risco de vida
Recife, 02 (AE) - O estudante Charles Heitor Barbosa Pires, 21 anos, que foi atacado por um tubarão ontem à tarde na praia de Boa Viagem, não corre risco de vida. Ele teve as duas mãos arrancadas e uma fratura exposta na perna direita na altura da tíbia (osso da canela), quando surfava numa prancha de body boarding, em frente ao edifício Acaiaca, reduto tradicional de surfistas. Ele estava a cerca de 100 metros da praia, 20 metros após a arrebentação das ondas.
Segundo o especialista em tubarões, engenheiro de Pesca Fábio Hazin, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, que conversou com o estudante, hoje pela manhã, e observou os ferimentos causados pela mordida, provavelmente o ataque foi feito por um tubarão da espécie cabeça-chata ou tigre. Pelas características da ferida na perna, o especialista afirma que o peixe media aproximadamente 2,5 metros.
As ocorrências de ataques de tubarões no litoral pernambucano, entre as praias do Paiva e do Pina, o equivalente a 25 quilômetros de costa, são mais frequentes entre os meses de julho a setembro. Isso, segundo Fábio Hazin, por que neste período os ventos são mais fortes, provocando um aumento na corrente marinha, no sentido sul- norte, o que facilita o deslocamento do animal. "Eles migraram para o local do ataque provavelmente porque as águas estavam turvas por conta das chuvas recentes que caíram e também por ser um período de maré cheia, com ondas altas", explicou o especialista.
O estudante, que não quis dar entrevistas por estar bastante chocado, disse ao engenheiro de pesca que o tubarão o atacou primeiro na perna. "Ele falou que quando sentiu a mordida e reconheceu ser um tubarão se desesperou e fez movimentos com as duas mãos dando murros no peixe, que imediatamente arrancou as duas mãos", afirmou Fábio Hazin.
Desespero - Segundo contou o salva-vidas Antônio Nascimento dos Santos, 31 anos, que viu o ataque, dois tubarões teriam atacado o rapaz. Antônio e outros dois salva-vidas retiraram o rapaz do mar e o levaram para o Hospital da Restauração. Segundo o salva-vidas o estudante teria chamado os colegas que estavam com ele de "covardes". "Ele disse que os amigos o teriam abondonado quando viram se tratar de um tubarão", disse Santos. "Ele disse que queria morrer, quando viu que estava sem as duas mãos. Havia muito sangue na água", lembrou Antônio.
Charles Heitor Barbosa Pires foi submetido a várias cirurgias na noite do sábado e deve permanecer internado pelo menos uma semana.
Este foi o 31º ataque de tubarão no litoral pernambucano desde 1992, quando foi registrada a primeira vítima. Até agora, 10 pessoas morreram, sendo 7 banhistas e 3 surfistas.
A ocorrência de ataques de tubarão na costa pernambucana é explicada, segundo Fábio Hazin, por um desequilíbrio ecológico provocado pelo homem, após a construção do Porto de Suape. Os tubarões utilizavam o estuário próximo ao porto para procriação. No momento que foram obrigados a se deslocar para outro lugar ficaram mais próximos do rio Jaboatão, na Região Metropolitana do Recife. O litoral próximo ao estuário do rio Jaboatão possui um canal profundo que corre paralelo à praia.
"Os tubarões utilizam o canal para seu deslocamento, que vai até a praia do Pina ", disse o especialista. A partir de julho, uma equipe da Universidade Federal Rural de Pernambuco
sob a coordenação de Fábio Hazin, inicia um trabalho inédito no Brasil de análise sobre o comportamento de um tubarão na costa pernambucana. A equipe vai capturar um tubarão e colocar nele um aparelho sensor, com objetivo de acompanhar o animal em todo o seu movimento de migração durante uma semana.





