Andradina, SP, 09 (AE) - O estudante Vitor Alexandre Ferreira dos Santos, acusado de ter matado quatro pessoas de sua família em Mirandópolis, no noroeste paulista, a 610 quilômetros da Capital, foi declarado inimputável por uma equipe de psiquiatras que o consideraram esquizofrênico. Os crimes aconteceram nos três primeiros meses desse ano e abalaram os moradores da tranquila cidade de 40 mil habitantes, onde uma das vítimas, o empresário José Carlos Crevelaro, era de família tradicional no município.
O laudo pericial não foi contestado pelo Ministério Público, nem pelo advogado de defesa Ygnácio Akira Hirata. Por causa disso, Hirata acredita na possibilidade de o juiz decidir pela internação de Santos num manicômio judiciário. Santos declarou aos médicos Francisco Antunes Ribeiro Neto e Ernindo Bacomani Júnior que só se lembrou de uma das mortes, a de sua mãe, ocorrida em abril.
Atribuiu o homicídio à necessidade de se libertar de "energias espirituais" que estavam impedindo o seu "desenvolvimento". Por causa disso, não se considera arrependido, mas cumpridor de um dever. Nunca teve passagem pela polícia. Ele disse que começou a consumir bebida alcoólica aos 12 anos de idade. Aos 14 anos tomou chá de lírio, um alucinógeno.
Em depoimento à justiça, Santos negou a autoria de todos os crimes e disse que foi forçado pela polícia a fazer as declarações. Ele também foi acusado de matar o casal de tios, com quem morava, e a avó.
Lúcia Delai, de 72 anos, foi a primeira vítima a morrer por estrangulamento, método que se repetiu nas demais pessoas. O médico que atestou serem mortes naturais, agora responde a processo por falsidade ideológica. O delegado Natanael Pinheiro da Silva acha que outras mortes poderiam ter ser evitadas se a suspeita sobre o rapaz tivesse sido apresentada logo no início do ano.
As testemunhas de acusação começaram ser ouvidas na justiça e a última audiência está prevista para outubro. O advogado Hirata disse que continuará defendendo a tese de que o estudante não foi autor dos crimes porque, segundo ele, "não há provas nos autos que convençam disso". Santos permanece preso na cadeia de Mirandópolis.

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