Londrina – Uma pedalada na manhã de ontem marcou o Dia Mundial Sem Carro em Londrina. Dezenas de ciclistas percorreram ruas e avenidas do Centro da cidade em um percurso de sete quilômetros. O evento faz parte também da Semana Nacional de Trânsito, que vai até o dia 25.
A reunião de ciclistas serviu para mostrar os benefícios do uso da bicicleta para a saúde e para o meio ambiente e a necessidade de se buscar novas formas de transporte. O encontro comprovou também a falta de estrutura na cidade para o uso de bicicleta e deixou uma certeza: em Londrina, a bicicleta é usada apenas como lazer, já que para quem quer ser ciclista no dia a dia os riscos são muito grandes.
O servidor público José Santo Moreira, 50 anos, usa a bicicleta somente no fim de semana em virtude do perigo que é andar pelas ruas da cidade. "Não tem segurança nenhuma. Para os motoristas o ciclistas só atrapalham. As nossas ciclovias não são conectadas e não levam a lugar nenhum", frisou.
Já o propagandista Arlindo Bonfim, 45, acredita que o principal problema é a falta de educação no trânsito. "Não dá para ser ciclista em Londrina. Falta respeito dos dois lados. Dos motoristas e dos ciclistas. A bicicleta é sempre a última preocupação. É preciso ter campanhas de conscientização e incentivo ao uso de bicicletas", afirmou Bonfim, que faz parte de um grupo de mais de 30 ciclistas que se reúnem duas vezes por semana para pedalar. "Temos que ir para a zona rural, porque dentro da cidade o risco é muito grande."
Mudar a cultura da população, incentivando o uso da bicicleta, é uma das alternativas. Pensando nisso o comerciante Nilson Horácio, 36, levou a filha Manoela, 11, para participar da pedalada. "Passeios como o de hoje são importantes para mobilizar e para mostrar para as crianças que é bom e faz bem andar de bicicleta. Pena que a estrutura na cidade é ruim", apontou.
José Moreira defende que o governo dê isenções de impostos para aumentar a venda de bicicletas, sobretudo para a parcela mais pobre da população. "É que na verdade o governo só quer saber mesmo de vender carro", criticou.
Para o professor de Planejamento Urbano da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Gilson Bergoc, com raríssimas exceções, como na Avenida Adhemar de Barros (zona sul) e em um trecho da São João (zona leste), Londrina não possui ciclovias. "O que temos são ciclofaixas, uma área da via, segregada por uma faixa pintada no chão ou algum separador de pista. É uma saída, mas não é o ideal", explicou.
Bergoc ressaltou que a falta de estrutura para os ciclistas não é apenas um problema de Londrina, mas da maioria dos municípios brasileiros. Segundo ele, as cidades não foram pensadas e planejadas para a bicicleta e sim para os carros. "Em algumas cidades há alguns incentivos para o uso da bicicleta. Em Londrina nunca houve uma campanha sequer com este intuito. A bicicleta é o veículo que ocupa o menor espaço por passageiro transportado. Em Londrina, se ajustaria muito bem para pequenos deslocamentos de dois ou três quilômetros. Mas a nossa estrutura dificulta isso", lamentou o professor.
Segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), a cidade possui 17 quilômetros de ciclovias. O projeto para a construção de uma nova ciclovia na Avenida Saul Elkind (zona norte) de seis quilômetros já está pronto e o processo agora está na fase de licitação.
O Ippul informou que outras ciclovias serão construídas por empresas geradoras de tráfego, como contrapartida ao município. Os projetos aguardam os Estudos de Impacto de Vizinhança (EIV) para saírem do papel.

mockup