Estrutura para aumentar exportações é inadequada, dizem economistas
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terça-feira, 28 de março de 2000
Por Paula Puliti 
São Paulo, 29 (AE) - A economista Lídia Goldstein, da MB Associados, acredita que um dos maiores entraves para o aumento das exportações brasileiras é a total inadequação das instituições governamentais e das entidades representativas de empresários às atuais exigências do mercado internacional. Durante o seminário "As perspectivas de Médio e Longo Prazo da Inserção Externa do Brasil", promovido pela Sobeet, a ex-assessora especial do BNDES afirmou que toda a estrutura brasileira voltada para promover as exportações foi baseada no paradigma da economia fechada, quando os empresários contavam com fortes subsídios e proteção. "Por isso que nossa política comercial não deslancha", disse.
O chefe do Departamento Econômico do BNDES, Armando Castelar Pinheiro, afirmou ainda que a concentração das exportações em um pequeno número de empresas dificulta o crescimento das vendas externas do País. Um levantamento do banco mostra que 5,6% das 14 mil empresas brasileiras exportadoras são responsáveis por 84% de todas as vendas ao Exterior, embora o número de empresas tenha mais do que dobrado desde 1990.
Para Octavio de Barros, economista-chefe do BBV Brasil, o ajuste do balanço de pagamentos depende das exportações. Durante o seminário, ele defendeu um regime cambial de livre conversibilidade, diminuindo a susceptibilidade da moeda à política econômica, o que dá segurança ao exportador. Ele também defendeu a redução da repressão na demanda por divisas. Segundo ele, também são essenciais para a saúde do balanço de pagamentos uma alta liquidez no mercado internacional, conforto na rolagem da dívida e ausência de choques dramáticos na economia.
Projeção - Estudo realizado pelo professor Francisco Eduardo Pires de Souza, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra que as exportações devem crescer 22% neste ano e 23% em 2001. No mesmo período, as importações aumentam 12,3% e 8,9%, respectivamente. As vendas externas, segundo o levantamento, estão sendo puxadas por produtos manufaturados e semi-manufaturados. Com um crescimento da produção industrial da ordem de 9% em 12 meses, a expectativa é de que as importações ganhem algum impulso, o que poderá ter algum impacto sobre as transações correntes. Ainda assim, a pesquisa aponta para um saldo positivo de US$ 12,3 bilhões na balança comercial deste ano ante um resultado projetado de US$ 3 4 bilhões.
A estimativa é de que o déficit em conta corrente encerre este ano em 3,6% do PIB, caindo para 2,3% em 2001. Segundo as projeções do BBV, a balança encerra o ano com superávit de US$ 1 bilhão, enquanto que para o Dresdner Bank o superávit ficará entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões.


