Estresse é parceiro das disfunções sexuais
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de agosto de 2008
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Os melhores parceiros para uma vida sexual plena passam longe do estresse, mas encontram-se na boa saúde física e emocional. O tema foi discutido na última semana, em Londrina, durante a 1 Jornada Unopar de Farmácia (Junopar). Buscar ajuda profissional, e não simplesmente ''deixar o tempo passar'' é a melhor maneira de resolver problemas nessa área opina a ginecologista obstetra Camila Rodrigues Mungo Valério, que ministrou a palestra ''Influência do estresse nas disfunções sexuais''.
Uma boa resposta sexual, segundo a médica, passa pelo estímulo, que leva à fase de excitação. Mas, hoje um conjunto de fatores acaba atrapalhando a receptividade desse estímulo pelo parceiro. Um dos primeiros problemas, aponta Camila, é a falta de laços afetivos duradouros e de uniões mais estáveis, fatores que resultam em intimidade. ''E é fundamental que exista intimidade entre o casal para que se consiga ter uma vida sexual prazerosa, satisfatória. Hoje ninguém mais quer conversar, 'discutir a relação', tentar se entender'', alerta.
Um estilo de vida sedentário, que leva a doenças como diabetes, obesidade e colesterol elevado, aumentando o risco de problemas cardiovasculares, também repercute na qualidade de vida sexual. Isto porque o quadro cria uma situação no organismo chamada síndrome plurimetabólica, resultando em um estado hiperglicêmico constante no corpo do indivíduo, que pode ter alterações vasculares. ''As doenças vasculares podem levar à disfunção erétil no homem, pois a base da ereção é a congestão dos vasos penianos'', alerta.
Outro abuso que pode levar a problemas é o de substâncias estimulantes do sistema nervoso central, o que, segundo a médica, acaba atrapalhando todo o equilíbrio de neurotransmissores ligados à sexualidade. ''Quase todos os ansiolíticos e antidepressivos agem a nível de sistema nervoso central e bloqueiam determinados centros do prazer que são fundamentais para uma boa resposta ao estímulo excitatório. Não sou contra o uso de antidepressivos, mas acho que eles vêm sendo usados de forma muito indiscriminada'', alerta. Ela explica ainda que o estresse e a ''correria'', deixam as pessoas em estado de alerta constante, o que no corpo se traduz em muita liberação de cortizol, em detrimento da endorfina e da dopamina, ligados à sensação de prazer.
O estado de alerta constante, ressalta a médica, também faz com que o fluxo sanguíneo seja direcionado para as extremidades, o que deixa o corpo pronto para emergências. ''Mas, se todo nosso fluxo vai para as extremidades, na genitália fica reprimido, e isso tira o desejo. A congestão da pelve, tanto masculina, quanto feminina, é fundamental para despertar o desejo'', explica.
Seja falta de desejo, dor durante a relação, dificuldade de ereção, ejaculação precoce ou outros, o importante é não achar que os problemas na área sexual vão se resolver sozinhos. Mas buscar ajuda. ''O casal deve 'correr atrás', procurar um profissional, um ginecologista ou um urologista, considerar a possibilidade de psicoterapia. Disfunção sexual é um problema do casal, não apenas do indivíduo'', afirma.


