São Paulo, 05 (AE) -- A decisão do Fundo Monetário Internacional e dos principais bancos centrais do mundo, de limitar as vendas de ouro, reafirma o ativo como uma reserva de capital. A avaliação é do estrategista chefe do Conselho Mundial do Ouro, Richard Scott-Ram. Segundo ele, o ouro se tornou também uma opção financeira para a diversificação de carteiras de investimentos. No primeiro semestre do ano, o ouro valorizou 35% e deve manter esta alta até o final do ano, com possibilidade de um resultado ainda melhor.
No Brasil, a valorização do ouro não foi tão grande, segundo ele, porque o perfil do investidor brasileiro é de aplicar em ativos com rentabilidade de curto prazo. Ele atribuiu também a baixa procura pelo ouro à desvalorização do câmbio e as altas taxas de juros do mercado, que tornam a competição desigual "Quando os juros no Brasil estiverem equiparados às taxas internacionais, o ouro poderá competir em melhores condições" avaliou ele.
O anúncio dos bancos centrais, de que limitarão a venda de ouro a 400 toneladas/ano, nos próximos cinco anos, será facilmente absorvida pelo mercado na avaliação de Scott-Ram, isto porque, explicou ele, há grande demanda no mercado para o produto. Segundo ele, no final de 98 a produção mundial de ouro foi de 2,2 mil toneladas e a demanda - cerca de 85% concentrada na indústria de jóias - ficou em 3,3 mil toneladas. De acordo com Scott-Ram, além da oferta maior de ouro no mercado, decorrente das vendas de parte das reservas dos BC´s mundiais, contribuiu para a desvalorização do preço do ouro no mercado internacional a alta do dólar, e a força da economia norte-americana nos ultimos 8 anos.
Segundo ele, os bancos centrais e europeus, norte-americano e japonês detêm cerca de 86% das reservas oficiais de ouro. Segundo ele a recuperação das economias asiáticas e européias pode contribuir favoravelmente ao mercado de ouro, já que enfrequece o dólar e aumenta a demanda desse ativo.
Scott-Ram não quis estimar qual a valorização que o ouro pode atingir, mas calcula que até US$ 350 a onça representaria a recuperação do preço do ouro no mercado. Acima disso, avalia ele
seria ganho. Ele disse ainda que a alta do ouro não deve prejudicar a demanda até a cotação de US$ 400 a onça.
O estrategista chefe da Comissão Mundial do Ouro prevê ainda que a valorização do ouro no mercado internacional poderá favorecer a produção brasileira do minério. Segundo ele, o Brasil tem capacidade de dobrar a sua produção, que atualmente esta em 60 toneladas/ano. Para isso o Brasil precisará abrir o mercado para o capital estrangeiro. Ele citou o exemplo do Perú, que em 1988 produzia 10 toneladas/ano e hoje produz 75 toneladas/ano, graças ao investimento externo naquele país. Enquanto isso, a produção do Brasil caiu de 102 toneladas em 88 para 59 toneladas em 97, segundo dados do FMI. Scott Ram veio ao Brasil para participar do XX Congresso Brasileiro de Fundos de Pensão onde fará amanhã uma palestra para promover o ouro como opção de investimento.

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