Estratégias de fiscalização no combate aos fujões
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Marian Trigueiros Reportagem Local 
Londrina - Com o início da Semana Nacional de Trânsito, um dos temas a serem trabalhados com afinco é o risco da combinação entre álcool e direção. Isto porque, com a mudança e rigor na legislação, a famosa Lei Seca se tornou um grande desafio aos órgãos de fiscalização. Além dos problemas estruturais das companhias - que convivem com a pouca quantidade de etilômetros e profissionais - a tecnologia é tida como um dos piores inimigos, pois facilita comunicação e rápida disseminação das informações. O principal são alguns aplicativos de smartphones, que viraram febre entre os usuários desses tipos de aparelhos.
O app mais conhecido para burlar as fiscalizações é uma espécie de rede colaborativa, em que as pessoas alimentam com informações e o usuário é notificado onde estão ocorrendo blitze. Os motoristas conseguem ter acesso às informações mesmo estando dentro do carro. Mais antigos ainda, estão os aplicativos e aparelhos de GPS que identificam a localização de radares de velocidade. Neste rol, que os especialistas em trânsito chamam de desserviço, já que a lei não considera crime a divulgação desses dados, estão ainda as comunidades das redes sociais como facebook e twitter, as quais também são alimentadas por pessoas sobre a localização das fiscalizações.
Segundo o tenente Ismael Veiga, porta-voz do Batalhão da Polícia de Trânsito do Paraná (BPTran), a companhia tem lançado mão de várias estratégias para diminuir a quantidade de "fujões". "Anos atrás, as fiscalizações costumavam durar até seis horas; hoje, não passam de duas horas. Ao longo do tempo, a frequência de veículos diminui muito em função da disseminação de informações pela internet e aplicativos. Por isso, realizamos mais operações em locais diferentes, com menor tempo de duração", explicou. Conforme ele, as operações não resultam apenas em flagrante de embriaguez, "mas em recuperação de carros furtados, apreensão de drogas e armas."
Outra frente de trabalho, de acordo com ele, é o monitoramento dessas informações por um serviço reservado, que repassa às equipes de fiscalização. O próprio comandante da operação, contudo, possui autonomia para mudar a localização da blitz conforme sua percepção. "Há ainda uma parte da operação chamada de pinçamento, na qual alguns motociclistas ficam ao redor da blitz, abordando eventuais motoristas que tentem fugir", comenta o tenente, comemorando a diminuição de cerca de 45% no número de acidentes com óbitos desde o início do ano, na região metropolitana de Curitiba, e queda no índice de recusa do teste no "bafômetro" de 80% para 30%.
Mapeamento
Os veículos são parados aleatoriamente, mas, órgãos têm usufruído da própria tecnologia de empresas especializadas para otimizar a operação. A Perkons, especializada em tecnologia para segurança e gestão integrada de tráfego, já vem disponibilizando equipamentos para a administração pública. "Dispomos de tecnologia e equipamentos, os quais, por exemplo, podem fazer captura de imagens, leitura das placas e processamento das informações instantaneamente. Assim, o mapeamento do veículo pela placa permite identificar as irregularidades com rapidez, antes mesmo que o veículo passe pela fiscalização", diz o gerente de produto Ricardo Simões.
Esses equipamentos de leitura e mapeamento, como explica o gerente, podem ser facilmente montados dentro de um carro de passeio descaracterizado, antes da blitz, para levantamento das possíveis irregularidades. "É uma espécie de posto de fiscalização móvel. Isso facilita o deslocamento ágil da operação."


