Estratégia para títulos prevê emissão de US$ 10 bi
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domingo, 18 de julho de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 19 (AE) - O governo brasileiro decidiu concentrar a maior parte das futuras emissões da República no mercado de dólar. Com este objetivo, o governo solicitou autorização a Securities and Exchange Commission (SEC) - a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) dos Estados Unidos - para a colocação de US$ 7,4 bilhões em papéis. Somados ao estoque de autorizações anteriormente concedidas pela SEC e ainda não usadas pelo governo brasileiro, o Brasil poderá emitir aproximadamente US$ 10 bilhões somente em dólar.
No final do mês passado, o Senado Federal já havia permitido o governo emitir US$ 10 bilhões no exterior. Este valor, entretanto, não englobou a diferença superior a US$ 2 bilhões já autorizada pela SEC. Assim, no total, o Tesouro Nacional tem o respaldo do Senado para colocar em torno de US$ 12 bilhões no exterior. Isso incluindo os US$ 700 milhões emitidos em euro há duas semanas.
Os números foram confirmados pelo Banco Central. As emissões do governo brasileiro, segundo já salientou o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, têm o objetivo de captar recursos e também refinanciar a dívida externa brasileira. No comunicado à SEC, entretanto, o Brasil confirmou ainda que os recursos poderão ser usados no refinanciamento da dívida interna.
Na avaliação de Gleizer, a dívida externa hoje tem papéis de difícil negociação como os "bradies", por exemplo, que são títulos referentes a dívidas reestruturadas. O diretor afirmou que algumas instituições potenciais compradoras de papéis de países emergentes, como o Brasil, são impedidas de adquirir "bradies".
A troca destes papéis, portanto, facilitaria a negociação dos títulos brasileiros. No primeiro lançamento do título global em abril último, o primeiro depois da crise da Rússia, o Brasil emitiu um total de US$ 3 bilhões.
Destes, US$ 2 bilhões foram destinados à captação de recursos enquanto a diferença de US$ 1 bilhão foi troca de dívida. Na época, o governo brasileiro já tinha autorização da SEC para emitir US$ 5 bilhões no mercado norteamericano.


