Estratégia para conter dengue em SP não está funcionando, admite secretário
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Gabriela Scheinberg, especial para a AE 
São Paulo, 28 (AE) - O secretário estadual da Saúde de São Paulo, José da Silva Guedes, admitiu hoje que a estratégia usada pelo Estado para conter a dengue não está funcionando. Segundo ele, a população não está tomando os cuidados necessários para erradicar o mosquito que transmite a dengue, o Aedes aegypti. Guedes afirmou que pretende fazer uma campanha com a Secretaria da Comunicação do governo estadual para melhorar a divulgação das informações destinadas a prevenir a doença. "A população não está dando bola para os cuidados básicos de prevenção", disse hoje em entrevista coletiva também concedida pelo secretário municipal da Saúde, Jorge Pagura.
Guedes explicou que não culpa a população pela falta de cuidado. "O Estado não está conseguindo sensibilizar os paulistas", confessou. O mosquito é atraído por água parada, que pode estar acumulada em recipientes como pneus e vasos. Embora o secretário acredite que o primeiro caso pode ser um passo na direção de uma epidemia - que já atingiu Santos, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto -, Pagura nega a possibilidade de ocorrer um surto da doença na capital. "O mosquito multiplica-se em temperaturas mais quentes e, com o fim do verão, a chance de a dengue espalhar-se na cidade é menor", disse.
A prevenção da dengue na capital cabe à Secretaria Municipal da Saúde. Funcionários do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) do Município já encontraram o mosquito em vários bairros. Para identificar focos do mosquito, os vigilantes deixam pneus com água expostos em pontos da cidade, na expectativa de atrair o Aedes aegypti. Uma vez que um foco é descoberto, os funcionários visitam todas as casas da região, para realizar pulverizações com substâncias para matar o mosquito e informar os moradores sobre os cuidados que devem ser adotados contra a doença. Auxílio - Até esta semana, todos os casos diagnosticados na capital eram de pessoas picadas pelo mosquito em outras localidades. Com o primeiro caso confirmado, a Superintendência de Controle de Endemias do Estado de São Paulo (Sucen) passou a ajudar o município. No total, 7.270 funcionários da Sucen trabalham no controle e prevenção da doença no Estado. Na capital, 600 funcionários terceirizados treinados pelo Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura também realizam essa tarefa. "Nunca estivemos tão bem preparados para combater a dengue", disse Guedes, ressaltando que é uma doença muito difícil de controlar.
Pagura e Guedes assinalaram também que pretendem aumentar o número de funcionários que trabalham na prevenção. Para isso, segundo Pagura, o Município pretende usar recursos de R$ 15 milhões do governo federal. A presença do mosquito não comprova que o vírus da dengue esteja presente num dado local. Para haver um surto, é preciso que o Aedes aegypti tenha picado alguém infectado, transmitindo o vírus para a próxima pessoa atacada. Por isso, os bairros da capital identificados como focos do mosquito são regiões em observação pela Sucen e pelo CCZ. "Só erradicando o mosquito será possível prevenir a dengue", disse Guedes.
O primeiro caso de dengue no município foi o de Geraldo Lima de Oliveira, morador da Rua Francisco Pedro do Amaral, no Jaguaré. Ele é cobrador de ônibus da Viação Santa Madalena. "Não lembro de ter sido picado", disse. "Só lembro de quando começou a dor de cabeça". No começo de abril, além da dor de cabeça, Oliveira apresentava dor no fundo dos olhos e febre, os principais sintomas da doença. Oliveira procurou o Pronto Socorro da Lapa e tomou remédio para dor de cabeça e vitaminas. A suspeita de dengue foi confirmada duas semanas depois, com exames clínicos. Hoje, Oliveira está curado.
O município investigou 62 imóveis da região do Jaguaré e identificou apenas 2 focos do mosquito. A Sucen fez uma inspeção mais ampla, visitando 300 residências, o equivalente a 9 quarteirões próximos à casa de Oliveira, identificando 11 focos do mosquito.


