Brasília, 26 (AE) - A estratégia do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes diante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos foi definida na segunda e terça-feira da semana passada. Nesses dois dias, Lopes manteve demoradas reuniões com seus dois advogados e definiu os princípios em que se baseou a sua defesa: não queria correr o risco de ser perguntado publicamente sobre informações protegidas pelo sigilo bancário e achava que seu depoimento não iria restabelecer sua reputação, que já estava, na sua avaliação, inteiramente comprometida pelo noticiário da imprensa.
A primeira reunião de Francisco Lopes com os advogados José Gerardo Grossi e Luiz Guilherme Vieira ocorreu na terça-feira, em Brasília. O ex-presidente do BC tinha chegado à capital do País na segunda-feira para prestar depoimento à CPI. Mas no Hotel Nahum, onde ficou hospedado, teve uma crise de choro e foi aconselhado a não depor. Os senadores aceitaram adiar o depoimento por uma semana. Na dia seguinte começou a discutir com os dois advogados a estratégia de sua defesa.
A segunda reunião ocorreu na quarta-feira em São Paulo, mas dela participaram somente Luiz Guilherme Vieira e Araci Benitez dos Santos Pugliese, companheira do ex-presidente do BC. Nos dois encontros, Francisco Lopes apresentou o seu temor de que durante o depoimento à CPI seria questionado sobre informações de pessoas e instituições financeiras que tomou conhecimento no exercício das funções de diretor e presidente interino do Banco Central, mas que são protegidas pelo sigilo bancário.
Na sua avaliação, se respondesse às perguntas dos senadores as informações prestadas vazariam para a imprensa, mesmo se a reunião fosse secreta. Se não respondesse às perguntas, com a alegação do sigilo bancário, Lopes acha que poderia ser acusado de cumplicidade, de acordo com um assessor do escritório de advocacia que dá assistência ao ex-presidente do BC.
O frequente vazamento das informações colhidas pela CPI convenceu Lopes, segundo esse assessor, de que ela deixou de ser um fórum adequado de investigações. Nas conversas com os advogados, Francisco Lopes chegou a comparar o instrumento da CPI no Brasil com o de outros países democráticos, como os Estados Unidos, onde os trabalhos seriam feitos, de acordo com essa avaliação, com mais rigor e serenidade.
O outro princípio que norteou a preparação da defesa de Francisco Lopes é de natureza pessoal. O ex-presidente do BC está convencido, de acordo com o mesmo assessor do escritório de advocacia, que sua reputação foi destruída nas últimas duas semanas pelo noticiário da imprensa, alimentado por denúncias vazadas pela CPI e pela Justiça. E considera que o teor de seu depoimento e respostas aos senadores não mudariam essa realidade.

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