Estratégia da PM evita tumulto no terminal
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Um jogo de estratégias marcou ontem o terceiro dia de protesto de estudantes e trabalhadores contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em Londrina. Os manifestantes buscaram maior adesão da população ao percorrer ruas nos arredores do Terminal Urbano. A administração municipal, por outro lado, usou pontos da Região Central para embarque de passageiros, impedindo que ficassem presos por causa da manifestação.
A concentração dos manifestantes foi novamente no Calçadão, por volta das 17 horas, de onde a passeata seguiu até o terminal pelas ruas Maranhão e Mato Grosso e Avenida Leste-Oeste. As entradas foram bloqueadas, apesar do cordão de isolamento feito pelos PMs.
''O desvio dos ônibus foi para reduzir o impacto do protesto para a comunidade. Se os ônibus entrassem no terminal poderia haver um confronto. Também há o risco de atropelamentos no terminal e nas ruas. Nossa meta é garantir e os direitos de todos'', explicou o capitão Roberto de Moura Rocha, da Polícia Militar.
O grupo conseguiu arrebanhar simpatizantes no trajeto. Com uma caixa de engraxate no ombro, o desempregado Emílio Costa Neto, 40, se declarou a favor da redução da tarifa. ''O protesto atrapalha quem quer ir para casa, mas essa é a única maneira de protestar'', declarou.
Às 18h40, os manifestantes foram liberados pela polícia para entrar no terminal. Somente depois que o integrantes do movimento comprometeram-se a não fazer depredações. O protesto terminou pouco antes das 19 horas. Na sequência, os ônibus voltaram a usar o local normalmente.
Os protestos devem repetir-se pelo menos até sexta-feira, quando os integrantes farão nova avaliação sobre a mobilização. De acordo com a estudante Soraia de Carvalho, 24 anos, a idéia é incentivar a participação popular. ''Nós avaliamos que o movimento no terminal dá mais visibilidade'', afirmou.
O professor Evaristo Colman disse que o grupo vai manter a mobilização até a tarifa ser reduzida. ''Eles pretendem cansar a gente, mas quanto mais o movimento se estender, mais eles (da administração municipal) sairão desgastados. Eles acham que nós vamos desistir, mas provavelmente vai ocorrer o contrário'', avaliou.
Também não faltaram passageiros reclamando dos atrasos dos ônibus. Muitos cobraram mais informação dos funcionários do terminal sobre os pontos alternativos. Os protestos tiveram início na segunda-feira, motivados pelo aumento do passe de R$ 1,90 para R$ 2,00, que passou a vigorar no domingo.


