Estratégia da CUT inclui propostas para mercado de veículos
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 11 (AE) - A manutenção dos atuais 83 mil empregos diretos na indústria automobilística depende de uma produção mínima de 1,4 milhão de veículos este ano e da execução do projeto de incentivo à renovação da frota, no máximo até setembro, de modo a dar às montadoras uma perspectiva de melhora de mercado.
Isso porque o atual nível de atividade mantém ainda ociosidade de 44% nas fábricas - a capacidade instalada hoje é de perto de 2,5 milhões de unidades e chegará a 2,8 milhões nos próximos anos, com a inauguração das novas montadoras instaladas no País.
É a partir desse quadro que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC está traçando toda a sua estratégia de atuação nos próximos meses, para evitar demissões em massa. Sem incentivos ao consumo, a tendência das empresas será a de reduzir quadros e até fechar fábricas nos próximos anos.
A conclusão foi apresentada hoje pelo economista da Subseção ABC do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Jefferson José da Conceição, durante o Encontro Nacional dos Trabalhadores no Setor Automotivo, promovido pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo.
Se depender dos metalúrgicos, o projeto de renovação da frota, que dará bônus de até R$ 3,4 mil para proprietários de veículos com mais de 15 anos de uso trocarem o carro velho por um zero quilômetro, segundo Conceição, será colocado em prática assim que terminar o prazo de vigência do acordo de emergência que reduziu o IPI dos automóveis, no final de agosto.
A preocupação da categoria com a ocupação do mercado mercado interno por empresas instaladas no Brasil se justifica diante dos cenários para o setor automotivo no mundo. Conceição lembrou que a atual produção mundial de veículos, de 51 milhões de unidades, deve quase dobrar até o ano de 2015.
Contudo, o consumo terá crescimento muito menor - de cerca de 2% ao ano. "Gradativamente, teremos uma supercapacidade de produção, que obrigará as montadoras a buscarem cada vez mais a exploração de novos mercados", afirmou o economista.
Os mercados mais visados são os que hoje têm ainda demanda reprimida, caso do Brasil, que tem um veículo para cada dez habitantes, quando nos Estados Unidos a proporção é de um veículo para cada habitante. Outros são a Índia, o Japão e os países do Leste Europeu.
"Nesse sentido, o Brasil precisa ter uma política cuidadosa para o setor, com algum nível de proteção e de incentivo para a produção local, de modo a garantir empregos."


