O verão de 1998/99 nas praias da Costa Oeste, o primeiro sob efeito da crise cambial brasileira, é o que mais atraiu estrangeiros, especialmente paraguaios e argentinos, desde que surgiu o conjunto de terminais turísticos, no início da década.
Não existem estatísticas oficiais mas, ouvidas pela Folha, as administrações dos terminais turísticos estimam um número médio de 10% de visitantes estrangeiros. Com base em dados da Paraná Turismo, que aponta um total de 500 mil frequentadores nos sete terminais, o número de turistas de outros países chegaria a 50 mil.
Família argentina prepara ‘‘parillada’’ em Santa HelenaAs praias mais frequentadas por argentinos, paraguaios, chilenos e uruguaios são as de Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu e Santa Helena. Em alguns domingos, os estrangeiros chegam a ser maioria na areia e nos campings.
‘‘Com a crise, eles deixaram de trazer bebidas e alimentos e passaram a comprar tudo por aqui mesmo’’, conta Dionísio Rafagnin Bianco, 57 anos, concessionário que administra uma lanchonete-restaurante na praia de Santa Terezinha de Itaipu. Bianco comemora um aumento de 20% no faturamento de janeiro deste ano, em relação a janeiro de 1998.
Patricia, de Encarnacion‘‘Cerveja a R$ 1,00 e uma refeição por R$ 5,00 são preços inacreditáveis para eles’’, exemplifica Bianco, que emprega 15 pessoas e chega a vender 300 refeições em um único domingo. Segundo o empresário, que mora em Foz do Iguaçu, atualmente 80% de sua clientela é formada por paraguaios, argentinos e até chilenos e uruguaios.
Além dos preços baixos, os moradores dos países vizinhos encontram na Costa Oeste locais muito diferentes de outras atrações que visitam habitualmente. ‘‘No Paraguai não há nada parecido com isso. Aqui é tudo limpo, tranquilo, fácil de se conseguir qualquer coisa’’, diz Amado Galindo, 57 anos, funcionário da Itaipu Binacional.
Morador em Assunção, a 440 quilômetros de Santa Helena, Galindo quer conhecer todas as praias da Costa Oeste. Além de Santa Helena, já visitou as de Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu. ‘‘A infra-estrutura de todas é ótima’’, diz Galindo, que também trouxe dois amigos.
Costa OesteO sorveteiro Selmar de AndradePara aproveitar mais o passeio, duas famílias argentinas decidiram passar três dias acampadas na praia. ‘‘Vamos à noite em Santa Helena, comemos na pizzaria e percebemos que estamos gastando pouco trocando nosso dinheiro na casa de câmbio’’, diz o operário Juan Brizuela, 37 anos, de Puerto Libertad, que trouxe a família, em uma viagem de 156 quilômetros.
Seu colega de trabalho Enrique Blás Enriquez, 50 anos, é um frequentador habitual da praia e, segundo ele próprio, o maior divulgador da atração na província de Misiones. ‘‘Os argentinos têm que conhecer essa maravilha’’, diz.
Em Ciudad del Este e cidades vizinhas, as praias da Costa Oeste já estão tão conhecidas que as excursões para o Brasil lotam cada vez mais depressa. Pela segunda vez no terminal de São Miguel do Iguaçu, o caminhoneiro Carlos Maldonado, 28 anos, estava devendo o passeio a sua noiva desde o verão passado. ‘‘Sempre que ia me informar sobre lugares nos ônibus, eles já estavam lotados’’.fotos: Ney de SouzaA família de Moisés de Oliveira acampou em São Miguel do IguaçuLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha

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