Brasília, 17 (AE) - Um total de 61,41% dos títulos cambiais ofertados pelo governo no mercado, em janeiro, foram comprados pelos bancos e corretoras estrangeiras que também optaram por títulos de longo prazo e adquiriram 54,36% das Letras do Tesouro Nacional (LTN) de doze meses. Os dados constam do relatório sobre a dívida pública divulgado conjuntamente hoje pelo Tesouro e Banco Central. Segundo explicou o coordenador-geral da dívida pública no Tesouro, Paulo Vale, a preferência dos estrangeiros pelos dois tipos de papel ocorre por causa do perfil dos passivos detidos pelas instituições.
Vale disse que os estrangeiros compram os papéis cambiais porque, além de terem dívidas, também são obrigados a apresentar seus balanços em moeda estrangeira. Daí a necessidade de comprar títulos atrelados ao câmbio para manter os ativos e passivos equilibrados. "Ao mesmo tempo, eles contribuem para o alongamento da dívida", afirmou Vale. Sobre os papéis de longo prazo, o coordenador do Tesouro explicou que, na média, a maior parte dos recursos ofertados por estes bancos são de longo prazo.
Diferentemente das estrangeiras, as instituições nacionais preferem papéis mais curtos e atrelados a índices de preços. Para fazer frente a seus passivos e compor a carteira dos fundos de investimento, eles compraram 66,5% das Letras do Tesouro Nacional (LTN) de três meses. Ao mesmo tempo, segundo explicou Vale, eles também adquiriram Notas do Tesouro Nacional (NTN), da série C, que têm prazo entre 15 e 24 meses e é um papel corrigido pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). De acordo com o coordenador do Tesouro, com a compra destes títulos os bancos atenderam à demanda dos fundos de pensão que têm passivos de prazo mais longo.

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