Curitiba - Viajar pelas estradas que cortam o Paraná tem sido um exercício de paciência. Nos últimos dez dias, ao menos três ocorrências causaram interrupção total ou parcial de pistas em rodovias federais. O resultado: fila e lentidão, significando uma viagem bem mais longa. No incidente mais recente, uma queda de barreira fez o asfalto ceder em duas pistas da Régis Bittencourt, no quilômetro 354, entre Miracatu e Juquitiba, já no estado de São Paulo.
Sem previsão de conserto, o tráfego é mantido na pista contrária para quem segue no sentido Curitiba-São Paulo; quem vem utiliza parte do acostamento. Segundo a concessionária que administra o trecho, uma fila de 16 quilômetros se formou no domingo. Uma equipe de engenharia avalia a possibilidade de obras emergenciais visando o movimento intenso do feriado de Carnaval.
Também na Régis Bittencourt, ou BR-116, o motorista encontra uma situação complicada na ponte sobre o Rio Pardinho. No último dia 8, a ponte foi interditada após uma cratera ter se formado na cabeceira da estrutura. A concessionária informou, ontem, que a previsão para o término das obras é o final do mês, se as condições climáticas forem favoráveis. Enquanto isso, os veículos dividem meia pista na ponte.
Caminhões e ônibus terão que buscar caminhos alternativos à Estrada da Ribeira (BR-476). Na sexta-feira, um pequeno deslizamento de terra causou um desnível de pista. Anteontem, a 500 metros do primeiro ponto, um novo deslizamento fez com que a pista cedesse. A rodovia foi interditada para veículos pesados entre os quilômetros 79 e 80, entre Bocaiúva do Sul e Tunas do Paraná. Apenas carros de passeio e coletivos podem passar. O caminho alternativo, segundo a sugestão da Polícia Rodoviária Federal, é por Ponta Grossa.
A causa apontada para as ocorrências é o excesso de chuvas no período. No entando, o presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), Valter Fanini aponta outros motivos. ''No caso de uma ponte, pode ser mesmo que as chuvas além do máximo previsto possa causar esse tipo de problema. Além disso, qualquer alteração na bacia do rio, como uma derrubada de árvores, pode mudar a quantidade de água e a estrutura da ponte pode não aguentar mais a vazão do rio'', detalha Fanini.
O terceiro motivo para o aparecimento dos problemas é a falta de manutenção. ''Quando há erro de projeto, é facilmente identificável. Todos os projetos são registrados junto aos conselhos de engenharia e, se existe a comprovação do erro, o responsável é punido'', explica.

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