Estradas brasileiras estão em péssimo estado
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terça-feira, 02 de outubro de 2001
Sandra Manfrini<br> Agência Folha <br> De Brasília, DF 
Mais de dois terços, 68,7%, das estradas brasileiras estão em estado péssimo, ruim ou deficiente. Esse é o resultado da 6ª Pesquisa Rodoviária - CNT (Confederação Nacional do Transporte), divulgado ontem, que revela que apenas 28,4% das estradas são consideradas boas e 2,9%, ótimas.
Com relação ao ano passado, quando 80% das estradas foram classificadas como péssimas, ruim ou deficientes, houve uma melhora, mas o presidente da CNT, Clésio Andrade, afirmou que não é nada que se possa comemorar. ''Significa que o estado das rodovias brasileiras é precário, se não, caótico'', disse.
Segundo ele, houve uma melhora significativa com relação à sinalização das estradas. Por isso, a avaliação geral ficou melhor na comparação com 2000.
Mas não houve grandes avanços no quesito pavimentação. Segundo os resultados apresentados sobre o estado de conservação do pavimento, mais da metade, 52,2%, encontra-se em estado precário ou crítico de conservação e 47,7% estão em ótimas ou boas condições de pavimento.
Em 2000, 34% das rodovias tinham pavimento satisfatório, segundo a pesquisa CNT, mas esse percentual já chegou a 62,2% em 1999. Isto mostra, segundo Andrade, que não houve uma recuperação da pavimentação.
Com relação à sinalização, 61,6% das estradas estão com condição satisfatória e 38,3% com sinalização deficiente, péssima ou ruim. Esse foi o item de maior recuperação. Em 2000, apenas 54,3% das estradas tinham sinalização considerada satisfatória e, em 1999, 39,2%.
O item que continua praticamente estável é a engenharia das estradas. A pesquisa revela que 91,7% das estradas têm condições de engenharia deficientes ou ruim. Apenas 8,3% são consideradas satisfatórias.
A pesquisa revelou também que apenas 79,4% das estradas brasileiras têm acostamento. Desse total, 21,9% estão tomados pelo mato. Outros 61,1% estão pavimentados e em situação de conservação adequada.
Com relação à sinalização, 80,1% das estradas estão com a pintura das faixas visível, 9,9% em condições precárias e 10,1% com a pintura das faixas totalmente apagada ou inexistente.
No quesito sinalização por placas, 83,4% das estradas possuem placas totalmente legíveis, mas 15,8% da extensão das placas estão desgastadas e 0,8% totalmente ilegíveis. Quanto à visibilidade das placas, 76,6% das estradas têm boa visibilidade.
Outros 23,4% têm predominância de mato cobrindo parcialmente ou totalmente as placas.
A estrada que liga São Paulo a Uberaba (MG) continua, desde 2000, como a melhor estrada em condições gerais de trânsito e conservação.
A segunda colocada é a rodovia que liga o Rio de Janeiro a São Paulo. Em terceiro lugar, a que liga Ourinhos (SP) a Cascavel (PR), que saiu do 13º posto em 2000.
Já a classificação de pior estrada ficou para a rodovia que liga Juazeiro (BA) a Salvador (BA), que, em 2000, ocupava a 51ª posição. Em seguida, entre os piores colocados, vem a rodovia que liga Poços de Calda (MG) a Lorena (SP); e Salvador (BA) a Paulo Afonso (BA).
O presidente da CNT informou que 75% das dez melhores ligações rodoviárias estão nos Estados do Sul e Sudeste. Já entre as piores, 85% estão no Nordeste.
A pesquisa foi feita dos dias 2 a 27 de julho, em 70 ligações rodoviárias brasileiras, que abrangem 45,294 mil quilômetros, equivalentes a 71,9% da malha rodoviária federal.


