Estrada do Colono já recebeu 4 mil mudas
Enquanto o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) acelera o plantio do mudas nativas do Parque Nacional do Iguaçu na Estrada do Colono, lideranças e políticos da Oeste pretendem reunir hoje entre cinco mil e dez mil pessoas no culto ecumênico que pedirá a reabertura do caminho, fechado na quarta-feira passada pela Polícia Federal e Exército.
A atividade religiosa, prevista para começar às 9 horas em frente à guarita da Estrada do Colono, está sendo organizada pela Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), prefeitos e vereadores da região. A prefeitura de Capanema (Sudoeste) vai alugar ônibus para levar as pessoas até Serranópolis (Oeste). A Estrada do Colono encurta em 120 quilômetros a distância entre as duas regiões.
Ontem, o clima foi tranquilo, poucas pessoas compareceram ao local, mas a presença de manifestantes hoje pode deixar o relacionamento entre os moradores, agentes federais e militares tenso. Anteontem, o deputado estadual Irineu Colombo (PT) afirmou, durante discurso, que a população precisa radicalizar para garantir o uso do percurso aberto ilegalmente desde 1997. Precisamos nos preparar para um enfrentamento mais rigoroso, incitou.
O Comando de Operações Táticas (COT), da PF, adotou algumas medidas preventivas. A base área improvisada dos helicópteros, isolada parcialmente na sexta-feira, recebeu uma cerca de arame farpado. O comandante da Operação Porto Belo, delegado Antonio Borges Filho, teme um imprevisto como o confronto ocorrido há três dias quando moradores jogaram pedras na aeronave após perceber a presença de um representante do Ibama no local. Borges Filho se reuniu, pela manhã, com lideranças para manter a segurança no parque neste domingo.
Independente da pressão dos moradores, quatro mil mudas de árvores nativas da reserva florestal já foram plantadas por oito técnicos (auxiliados por militares e agentes) desde quinta-feira. Segundo o diretor do Parque Nacional do Iguaçu e do Ibama, em Foz, Júlio Gonchorosky, serão plantas 20 mil mudas de ipês, ingás e angicos, espécies típicas da mata. O efetivo policial e militar já interditou oito dos 17,6 quilômetros do percurso com três máquinas.
Estamos realizando uma campanha para unir algumas dezenas de voluntários de vários pontos do Paraná. Também planejamos uma estratégia para levar as pessoas até o interior da Estrada do Colono. O trabalho de reflorestamento deve durar duas semanas, relatou o ambientalista.
Além de recuperar a flora, o plano do Ibama tem outro efeito prático. Caso um morador destrua uma planta pode ser multado e até preso. A partir o momento que tem mudas numa área natural em recuperação, a destruição de qualquer uma dessas mudas torna-se um crime ambiental, destacou Gonchorosky. A infração está prevista na Lei dos Crimes Ambientais.





