Foz do Iguaçu - O fechamento da Estrada do Colono, que corta o Parque Nacional do Iguaçu, completa hoje um ano marcado por contrastes. De um lado, moradores de Serranópolis do Iguaçu e Capanema acumulam perdas no comércio que dependia do atalho entre Oeste e Sudoeste. Do outro, ambientalistas comemoram o reflorestamento no trecho de 17,6 quilômetros.
O sentimento dos moradores nos dois extremos da floresta é de revolta com as promessas não cumpridas para a implantação de alternativas econômicas para quem dependia do movimento ilegal e diário de quase 800 veículos. As perdas iniciaram logo após o bloqueio determinado pelo Tribunal Regional Federal, da 4ª Região.
As reclamações são contra o Instituto Ambiental do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec). Também são criticados os deputados estaduais e federais da regiões, o prefeito de Serranópolis, Nilvo Perlin (PT), e de Capanema, Valter José Steffen (PDT).
Sem o suposto amparo de políticos e do Ibama, a maioria registrou uma queda no movimento do comércio de 40% a 70%, cujos reflexos foram demissões, queda de arrecadação dos municípios e até falências de empresários. Muitos encontraram na extração ilegal de palmito uma opção para sobrevivência (leia texto nesta página).
Os principais prejudicados são os comerciantes instalados à margem da PR 495 (acesso ao caminho) e das vias aos antigos portões em Serranópolis (81 km a leste de Foz do Iguaçu) e em Capanema (112 km a oeste de Francisco Beltrão). Os prejuízos chegam ainda aos municípios vizinhos, como Medianeira, porém em escala bem menor.
As empresárias Lúcia Terezinha Werner, 46, e Edvirges Massaro Werner, 32, são proprietárias da uma Panificadora Central, em Serranópolis. Segundo elas, antes o faturamento bruto era de R$ 15 mil por mês; hoje esse valor caiu para R$ 10 mil. ‘‘Diminuímos os gastos, dispensamos funcionário. Estamos levando o comércio com dificuldade, enquanto os prefeitos e Aipopec esquecem da gente’’.
A Estrada do Colono havia sido reaberta em junho de 1997 por moradores das regiões, com o objetivo de encurtar a distância do Oeste e Sudoeste em mais de 140 quilômetros. Eles argumentam que o caminho foi criado antes do Parque Nacional do Iguaçu (1939), enquanto ambientalistas denunciaram a degradação da fauna e flora.

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