A Polícia Federal e o Exército já interditaram pelo menos cinco dos 17,6 quilômetros da Estrada do Colono que cortam o Parque Nacional do Iguaçu. Além das obras de interdição, o terceiro dia do fechamento do caminho foi marcado por ato de repúdio (ver texto abaixo) ao conflito entre policiais e moradores de Serranópolis (Oeste) ocorrido na quinta-feira.
O pelotão da PF está abrindo valetas de dois metros de profundidade a cada 500 metros do trajeto. A terra retirada é usada para formar elevados ao longo do percurso, que foi reaberto ilegalmente em junho de 1997 pelos moradores da região. Uma retroescavadeira, uma motoniveladora e um trator são usados para obstruir o caminho.
O comandante da Operação Porto Belo, realizada pelo Comando de Operações Táticas (COT), delegado Antonio Borges Filho, acredita que o trabalho de interdição da estrada e recuperação da flora deve ser concluído na segunda-feira ou terça-feira. ‘‘Ao final da destruição, será feito um comunicado à Brasília, que determinará qual será nossa posição’’, disse.
Segundo ele, os agentes federais e militares iniciaram o plantio de mudas de árvores nativas da floresta, porém evitou mencionar data para o término do reflorestamento. A meta é plantar 20 mil mudas de ipê e ingá, entre outras espécies típicas da unidade. O projeto de recuperação da mata inclui o despejo de sementes feito de um helicóptero. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a direção do Parque Nacional do Iguaçu acompanham o reflorestamento.
Ontem, o clima entre os policiais e moradores de Serranópolis do Iguaçu (85 quilômetros a leste de Foz do Iguaçu) foi tranquilo. Diferente de anteontem quando as partes entraram em confronto depois de se sentirem ‘‘provocadas’’ com a presença de um representante do Ibama na entrada da estrada. O Exército isolou parte da área utilizada como base área com arame farpado.
O manifestante Ubirajara da Silva, 48 anos, que durante o confronto de recebeu socos e chutes, reapareceu no local com um hematoma no olho direito. ‘‘Fui espancado. Me bateram na boca, no rosto e no órgão genital. Acredito que nada fiz para merecer isso’’, disse. Silva foi liberado ontem de madrugada após pagar fiança de R$ 275,00 a Polícia Federal, em Foz do Iguaçu. A PF abriu inquérito por resistência à prisão e tumulto.
O comandante da Operação Porto Belo nega a versão do manifestante. Borges Filho argumentou não ter visto as imagens gravadas por uma emissora de televisão que demonstram a ação do efetivo. Mas garantiu que, se houve violência, o policial será punido.
Além do manifestante agredido, a criança de sete anos ferida com estilhaços de uma bomba de efeito moral retornou, acompanhada dos pais, à vigília que vem sendo feito no local. Caroline Silva foi utilizada como símbolo de resistência pelos deputados estaduais que discursaram à tarde para um público de pouco mais de 100 pessoas. Durante o manifesto, a Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec) anunciou a realização um culto ecumênico às 10 horas de domingo em frente à guarita do caminho.

mockup