‘Estou no vermelho há 3 anos’
Ney de SouzaOliveira: ‘‘Preço do frete caiu, pedágio subiu e multa triplicou’’‘‘Nos últimos três anos, só trabalho no vermelho.’’ Dessa forma, o paranaense Valmir Rossoni, de 44 anos, resume a situação financeira dos caminhoneiros brasileiros. Em 1996, Rossoni - caminhoneiro há 24 anos - conseguia faturar, em média, R$ 2,5 mil por viagem. Hoje, segundo ele, esse rendimento caiu para, no máximo, R$ 700,00.
‘‘O preço do frete caiu, surgiram mais pedágios e o valor das multas triplicou’’, resume Rossoni, explicando as principais causas da queda de rendimento da categoria. Ele tem uma multa pendente de 600 Ufirs (cerca de R$ 580,00) por excesso de carga transportada. ‘‘Eram só 200 quilos’’, desculpa-se.
Rossoni, que é casado e tem dois filhos, mora em Capitão Leônidas Marques (78 quilômetros ao sul de Cascavel). Ele estava retido desde segunda-feira no bloqueio na BR-277, em São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu). Aderiu ao protesto quando voltava para casa, com o caminhão vazio, depois de deixar em Foz do Iguaçu um carregamento de lâmpadas.
Em Londrina, o caminhoneiro Nelson Aparecido de Oliveira, de 42 anos, ficou os quatro dias de greve parado nas proximidades do Posto Boaideiro, em companhia das filhas Talita e Gláucia, de 4 e 11 anos. ‘‘Elas sempre viajam comigo’’, contou Oliveira, que trabalha como caminhoneiro há 20 anos.
Ele disse que só ficaria satisfeito com a greve se os motoristas tivessem conseguido negociar um preço mínimo para o frete. ‘‘Só assim eu teria certeza que iria saldar as quatro parcelas restantes do meu caminhão’’. Sua prestação mensal é de R$ 3,8 mil. Oliveira contou que teve de vender uma casa e um carro para pagar a dívida da carreta, de R$ 100 mil.
Segundo o caminhoneiro, seu lucro é de R$ 250,00 nas viagens entre São Paulo e Rolândia. ‘‘Eu recebo R$ 800,00 pelo frete, gasto R$ 500,00 de óleo e pedágio e mais R$ 50,00 de despesas’’, calculou. De acordo com Oliveira, antes do Plano Real um frete deste tipo custava R$ 1,2 mil.(Valmir Denardin, de Foz do Iguaçu, e Cláudia Lopes, de Londrina)

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