Londrina - ''É difícil, preciso de gente para assoar o nariz, tirar suor da nuca. Perdi particularidades.'' O estudante de Direito Felipe Félix dos Santos está deitado numa cama da enfermaria do Hospital Universitário com os braços e pernas quebrados. O jovem de 21 anos sofreu um acidente quando estava de moto a caminho do trabalho na Avenida Maringá (Zona Oeste). Conforme ele, a recuperação deve demorar seis meses.
Apesar de ter desmaiado logo após o acidente, o jovem se lembra como aconteceu. ''Foi de manhã, umas 7h55. Tinha um carro na minha frente que virou para estacionar. Tentei tirar, mas não consegui, Bati na frente, fui arremessado a outro carro que estava parado'', relatou o encarregado de recursos humanos de uma empresa de segurança.
Santos só tem uma certeza depois do acidente. ''Vou me livrar dessa moto. Não desejo a ninguém isso que estou passando. A moto é um veículo ágil, ecônomico, fácil de estacionar, mas não compensa'', comentou. Ainda assim, ele acredita que é afortunado: ''Pelo menos não machuquei a cabeça, o peito.''
Apesar das dificuldades, Santos está confiante na recuperação. ''Essa parte vai passar. Tenho esperança que vou reduzir em três meses (a recuperação)''. Na quarta-feira passada, depois de cinco dias no hospital, ele recebeu alta e pôde voltar para casa. Mas até retomar sua vida normal a estrada é longa.
Outra vítima das motos é o jovem Alan Aparecido Freire, de 19 anos, que está internado na Santa Casa de Londrina há mais de um mês. Isso depois de já ter passado 15 dias no hospital do final de março até a metade de abril. ''Na hora nem dá tempo de pensar. Vi o carro e senti a pancada. Acho que quebrei o fêmur com a batida no carro e a bacia quando caí no chão, voei uns quinze metros. Fiquei consciente, foi muita dor'', conta ele, relembrando o acidente em que se envolveu na tarde de 28 março.
Freire estava na garupa de uma moto conduzida por um amigo que também mora no Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte). Logo após o acidente ele foi levado para o hospital onde, dias depois, passou por cirurgias para colocar placas no fêmur e bacia. ''Voltei para casa, mas um dos pontos começou a inflamar. Tive de fazer outra cirurgia para tirar a placa, estava com uma infecção no osso'', relata. No hospital o jovem ficou num quarto isolado por causa da infecção, que continua sendo tratada.
Freire espera receber alta na próxima semana, quando completará um mês e meio no hospital. O jovem já passou o aniversário no local, no dia 6 de junho. Para ele, a pior parte da internação é ficar longe da família.

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