Estoques das vinícolas gaúchas estão no fim
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domingo, 12 de dezembro de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 12 (AE) - As festividades de fim de ano estão raspando os estoques das vinícolas gaúchas. "Não temos mais as cinco variedades clássicas", diz o diretor da Georges Aubert, Rubens Santana, com sede em Garibaldi (RS). As vendas da empresa saltaram de 880 mil garrafas em 1998 para 1,3 milhão em 1999. "Já estão faltando vasilhame, rolhas e rótulos", confirma o chefe de Embarque e Faturamento da Vinícola Peterlongo, Luis Alberto Balbinot. A fabricação de champanhe, filtrado doce e sidra da Peterlongo, de Bento Gonçalves, será de 850 mil caixas, a maior da década.
Líder nacional do ranking do "vinho da alegria", a Vinícola Salton, da mesma cidade, superou suas metas e atingiu, já em novembro, 1,6 milhão de garrafas de champanhe. "Deveremos crescer 45% até o fim do ano", diz Daniel Salton. A Salton ainda tem estoque, mas está reduzindo os pedidos para tentar atender a todos. O diretor observa que o vinho tradicional também reagiu no segundo semestre. "Vendemos 97 mil caixas de nosso Chalise tinto no ano passado e 240 mil em 1999". Angelo Salton, o sócio responsável pela filial da fábrica em São Paulo, acrescenta que a vinícola deverá fechar o ano com vendas em torno de 19 milhões de garrafas de vinhos e espumantes.
A Vinícola Aurora, também de Bento Gonçalves, principal fabricante de vinhos do País, recebe 50 milhões de quilos de uvas por ano. A produção aumentará em 5 milhões de litros - de 31 milhões para 36 milhões - de um ano para outro. No cômputo está incluído o champanhe. A previsão do presidente, Hermes Zanetti, é que a Aurora fechará 1999 com faturamento de R$ 80 milhões, ante R$ 58 milhões em 1998.
Embora o forte da Aurora sejam os vinhos - 34% dos finos nacionais -, Zanetti descreve as vendas de espumantes como "fantásticas". Neste ano, entre vinhos e champanhes - suas marcas mais conhecidas são a Marcus James e a Conde de Focauld -
a vinícola lançou nove títulos no mercado. Fechou um acordo com a Rede Globo para usar a marca "Terra Nostra" em dois tintos (cabernet e merlot) e dois brancos (riesling e malvasia). "Projetamos lançar 100 mil caixas, mas aposto que vamos dobrar o número", prevê.
Nascida em 1875 na França e há 49 anos no Brasil, a Georges Aubert superou a média anual de 880 mil garrafas dos últimos cinco anos, atingindo 1,3 milhão em 1999. Produtora de dez variedades de champanhe, esgotou este mês seus estoques das cinco variedades clássicas: brut, demi sec, seco, doce e rosado.
"Ainda temos os três lançamentos da linha F", diz Santana. Essa linha, apresentada em 1999, inclui uma variedade tinta brut (Fétiche), uma demi sec rosado (Fascination) e uma extra brut (Formidable). A empresa também está engarrafando a chamada "linha italiana", que compreende os espumantes Prosecco, mais leve, e Asti, de sabor frutado. E investe em uma novidade: a garrafa de 187 mililitros com champanha brut, acompanhada de canudinho. "É o drinque individual", explica o diretor.
"Passamos de 600 mil para 850 mil caixas por ano", diz Balbinot, da Peterlongo. O faturamento da vinícola, que foi de R$ 22 milhões em 1998, subirá 30% em 1999. Das 850 mil caixas (cada uma com 12 garrafas), 60% são de Espuma de Prata, um filtrado doce, segmento na qual a Peterlongo é líder no País. "Nosso estoque foi embora", diz Balbinot, explicando que a empresa está apenas repondo o estoque, sem condições de atender a pedidos de última hora. O mercado paulista absorve 50% da produção da Peterlongo.
A empresa também se preparou para o "efeito réveillon". Investiu R$ 2 milhões em equipamentos para atender melhor à demanda. "E, desde setembro, passamos a empregar 300 trabalhadores, em vez dos 40 que tínhamos", assinala Balbinot. (Colaborou Cláudia Bredarioli)


