Brasília, 23 (AE) - O estoque dos ativos domésticos líquidos em março ficou R$ 492 milhões acima do teto fixado no acordo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Ficamos ligeiramente acima da meta", admitiu o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes. Em março, portanto, não foi cumprida a meta, de caráter indicativo, constante do acordo. No entanto, para efeito de determinar se o Brasil está ou não cumprindo as cláusulas do acordo com o Fundo, o que vale é o estoque de abril.
"Todas as indicações que temos até agora são de que conseguiremos cumprir o compromisso", disse Altamir. Em abril, as reservas internacionais brasileiras deverão ser engordadas pelos recursos captados com a emissão de bônus globais. Desta forma, o cumprimento do critério de desempenho fica facilitado. O estoque dos ativos domésticos líquidos é dado pela diferença entre a quantidade de moeda física e escritural em circulação no País, dado pela base monetária restrita, e o saldo das reservas internacionais líquidas (aquele que não considera o ingresso de recursos do FMI e dos bancos centrais dos países industrializados).
O acordo com o FMI diz que, em abril, o resultado dessa conta deve ser negativo em R$ 7,152 bilhões. Trata-se de um compromisso de desempenho, ou seja, seu descumprimento poderá levar à suspensão dos desembolsos dos recursos do FMI. Para março, havia apenas uma meta indicativa, que era de R$ 12,756 bilhões negativos. O estoque, na verdade, ficou em R$ 12,264 bilhões negativos.
Todas as demais metas e compromissos de desempenho do acordo brasileiro com o FMI foram fixadas para março e junho. Somente no caso dos ativos domésticos líquidos optou-se pelas metas em abril e junho. Segundo Altamir Lopes, isso foi feito porque, quando os termos do acordo foram revistos, em meados de março, havia dificuldades em estimar com segurança um resultado para aquele mesmo mês.

mockup