Curitiba, 05 (AE) - Um terço do Porto de Paranaguá, no Paraná, ficou paralisado hoje, em razão de um protesto dos estivadores e arrumadores contra os critérios adotados pelo àrgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo) para a contratação de pessoal. Ontem (04) à noite, cerca de 40 sindicalistas invadiram a sede do Ogmo, quebrando vidros, computadores e outros equipamentos. Hoje, os diretores do órgão não foram encontrados.
O órgão gestor tinha decidido iniciar, a partir de ontem (04), uma sistemática de trabalho diferente da que era adotada pelos sindicatos. Eles mantinham uma listagem com 1.200 estivadores e 800 arrumadores, que se revezavam no cumprimento dos serviços. O Ogmo pretende trabalhar com apenas 500 trabalhadores registrados. Os outros 1.500 não contratados seriam chamados somente quando houvesse uma vaga.
"Eles estão quebrando a espinha dorsal dos sindicatos", disse o presidente do Sindicato dos Estivadores, Ubirajara Maristani. Ele teme que essa decisão aumente o desemprego em Paranaguá. "O trabalhador está acuado, porque Paranaguá é carente de emprego." Maristani credita à angústia dos trabalhadores os atos de ontem na sede do Ogmo, quando vários equipamentos foram quebrados. "É algo para parar e refletir."
Parte da rua onde fica o órgão foi interditada hoje pela Polícia Militar para evitar novos atos violentos. Várias lojas também fecharam as portas.
Hoje pela manhã, os trabalhadores fizeram uma passeata pela cidade e, entre 11 horas e meio-dia e meia, fecharam a BR-277 nas proximidades de Paranaguá. "A manifestação é pacífica", afirmou Maristani. Segundo ele, os trabalhadores não estavam se negando a trabalhar. "Se os operadores contratarem, nós vamos fazer nossa escala normal", garantiu.
Maristani disse que o sindicato apenas estava reivindicando o direito de sentar à mesa para discutir os critérios de contratação com a direção do àrgão Gestor de Mão-de-Obra. Ele disse que o sindicato foi surpreendido na última sexta-feira, quando recebeu o comunicado de que ontem começaria o novo sistema. Hoje à tarde, os sindicalistas estavam reunidos para decidir sobre os rumos do movimento.
De acordo com a assessoria do porto, a carga geral, que é transportada em contêineres, teve o serviço paralisado hoje. Somente havia movimentação nos setores de granéis sólidos e líquidos, que são embarcados por esteiras. Cada navio parado tem gasto diário de aproximadamente R$ 15 mil e o porto deixa de movimentar cerca de 20 mil toneladas de produtos. Os problemas para o porto são o atraso no recebimento das taxas e tarifas, em torno de R$ 70 mil por dia, e uma possível alteração de rota de navios que ficam sabendo do protesto antes de chegar a Paranaguá.

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