Estímulo mantém reflexo de nadar
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domingo, 20 de abril de 2008
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Dúvidas sempre rodearam pais que desejam que seu bebê pratique natação - seja pela pouca idade ou pelos benefícios para a saúde. Mas, uma pesquisa feita pelo professor Ernani Xavier Filho, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), traz um pouco mais de informação sobre o tema, principalmente para os profissionais de educação física que trabalham na área. O estudo revelou que é o estímulo que mantém nos bebês o reflexo de nadar. O trabalho foi apresentado como tese de doutorado na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da Universidade de São Paulo (USP).
O objetivo do projeto, segundo o professor, foi identificar como exatamente se desenvolve o processo de locomoção aquática nos bebês. Ele explica que até os quatro meses de idade, o bebê tem o reflexo de nadar, movimento que vai se perdendo conforme a criança cresce e só é recuperado, aí sim, se ela aprende a nadar. O que ainda não havia era uma explicação para a perda desse reflexo.
Algumas hipóteses apontavam que a causa poderia ser a falta de maturidade do sistema nervoso central, a falta de força muscular ou ainda a falta de uso do movimento, que sem estímulo não apareceria. ''São explicações contraditórias, e o trabalho foi tentar explicar como isso realmente ocorre'', ressalta o professor. Ele trabalha há mais de 25 anos com natação para bebês e diz que naqueles que praticavam as aulas desde pequenos não se via essa fase de mudança do movimento reflexo para o voluntário. ''Queria verificar se com a estimulação os bebês apresentariam o nadar voluntário mais rapidamente'', completa.
Durante sete meses, ele estudou 20 bebês divididos em dois grupos: um que fazia duas aulas semanais, com estímulo para realizar movimentos na água, mergulho e controle da respiração, e outro, o chamado grupo de controle, em que os bebês eram colocados na água apenas a cada 15 dias, sem estímulo para realizar os mesmos movimentos que os primeiros. Quando a pesquisa começou os bebês tinham em média dois meses e meio de idade, para garantir que o reflexo estaria presente, e seguiram até próximo de um ano de idade. A pesquisa, enfatiza o professor, foi previamente autorizada pelo comitê de ética da UEL, e o ambiente controlado, com checagem de água, temperatura e cloro, além de exames de alcalinidade e bacteriológico.
Os resultados, segundo ele, se pareceram muito no início, mas depois de algum tempo, o grupo estimulado foi adquirindo padrões mais evoluídos. ''A estimulação foi fator importante na manutenção desses movimentos e na antecipação de outros que só se percebe mais tarde, em crianças mais velhas, como pedalar e mergulhar por mais tempo'', aponta.
O que ainda falta, segundo ele, é uma forma de medir isso qualitativamente. Mas, para quem ensina natação para bebês a informação já disponível é fundamental. ''Quanto mais informação, melhor para aqueles que trabalham com natação de bebês. Representa mais segurança saber o ritmo de aparecimento desses comportamentos'', afirma.
No quesito benefícios à saúde, o que os pais relatam, segundo o professor, é principalmente mais qualidade do sono e da alimentação no bebê. A prática também favorece a sociabilização, além de estimular o hábito da prática de esportes.


