Estimativas apontam perdas de R$ 4,5 bi no varejo brasileiro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 4(AE)- Com 20 anos de atraso em relação aos Estados Unidos empresários, consultores e especialistas se debruçam sobre o mesmo tema na busca de ferramentas para reduzir as perdas no mercado varejista brasileiro. O prejuízo total de 1998 está estimado em R$ 4,5 bilhões, equivalentes a 3% dos U$ 143 bilhões faturados. O varejo americano vendeu US$ 1,450 trilhão, com taxas de perdas quase pela metade, 1,72%, índice que mantém nos últimos oito anos, ou seja, US$ 27 bilhões.
O combate às perdas brasileiras, exigiria, num primeiro passo, investimentos da ordem de R$ 22 milhões, o equivalente a 0,5% da receita. Os americanos desembolsaram 0,49% há três anos e 0,59% em 1998 do total do faturamento. O índice de prejuízo do segmento de perecíveis, por exemplo, corresponde a 10% da venda bruta enquanto o varejo global contabiliza perda anual equivalente a 3% do faturamento, com o setor supermercadista na liderança.
Para se ter uma idéia, apenas as 300 maiores redes de supermercados brasileiras obtiveram, em 1998, uma receita bruta de US$ 38,9 bilhões, arcando com US$ 1,2 bilhão de prejuízos. Se a taxa fosse semelhante à americana as perdas teriam caído quase pela metade, US$ US$ 762 milhões. A cadeia de lojas de departamentos, com cerca de 80 lojas, no mesmo período, computaram receita bruta em torno de R$ 2 bilhões e viram R$ 50 milhões escorrerem pelos ralos em função das perdas. Segundo analistas de mercado, o valor seria suficiente para abertura de 4 novas lojas.
Comitê- Alarmados com os números e ansiosos na tentativa de sanar o problema, o Grupo Pão de Açúcar e Lojas Americanas, entre outras, formaram recentemente o Comitê Diretor de Prevenção de Perdas do Programa de Varejo da USP - Provar.
"Pesquisa feita em abril passado junto a 40 entrevistados de diversos segmentos varejistas, mostra que 48% apontaram perdas próximas de 3% da venda bruta em 1998", afirma Cecília Leote, coordenadora do seminário que acontece entre os dias 12 e 13 deste mês, na Faculdade de Economia e Administração da USP, do Provar.
Cecília ressalta que os furtos dos próprios funcionários associado aos externos foram as principais causas deste elevado índice. Mão-de- obra desqualificada, erros operacionais, produtos sem validade, má condições armazenagem, também foram fatores citados por ela como vilões do prejuízo.
Demanda - Outro indicador do aumento da preocupação das empresas tem sido a demanda por métodos de prevenção de perdas e a evolução dos balanços das fabricantes de equipamentos e acessórios de segurança eletrônica.
A Plastrom Sensormatic, joint-venture, entre empresas brasileiras e a matriz norte-americana, líder mundial em segurança eletrônica, conquistou a liderança no mercado brasileiro em três anos, superando R$ 40 milhões de faturamento subindo para 3ª no ranking dentro do grupo. "O sucesso no ramo levou a empresa a investir US$ 5 milhões na construção de uma segunda fábrica, em Barueri, Grande São Paulo", afirma Ruy Amaral Chaves, diretor geral.
O grupo nacional Nautec, fabricante de equipamentos, etiquetas rígidas e acessórios para evitar roubos saltou de R$ 6 milhões em 1998 para no ano seguinte. Cerca de 70% correspondentes a vendas de etiquetas pata impedir roubos. "É um grande salto e a tendência é manter esse patamar de crescimento", afirma Luiz Fernando Dias Samburgo, diretor de marketing. Pelos seus cálculos, com o aumento do desemeprego, o índice de perdas por furtos aumentou cerca de 30% no último ano.Seus maiores clientes são Carrefour, Riachuelo, Renner, entre outras.
A concorrente Checkpoint do Brasil, subsidiária da norte-americana Checkpoint, especializada na produção de etiquetas rígidas, sensores, e etiquetas adesivas, já exibe clientes de porte como a Saraiva e Office Max e da rede Farmax, em menos de quatro anos de vida no país. Segunda no ranking mundial, atua em 83 países com receita de US$ 700 milhões, US$ 6 milhões provenientes do Brasil. "A receita deverá saltar para US$ 9 milhões em 2000", afirma o gerente de vendas Tadeu Bronhara.
Exceções - Exceções comprovam a regra. Algumas empresas já conseguiram contornar perdas e ganhar em faturamento, lucro e posição no ranking de seu setor. A experiência comprova que, com o fim dos tempos de ganho baseado em giro financeiro, a prevenção de perdas pode ser a "bolsa de valores", sempre em alta, da pessoa jurídica moderna, comenta Cecília.
"Empresas que atingiram índices de perdas entre 1% e 2% podem ser consideradas de sucesso", afirma Fernando Fleider, gerente de Projetos de Prevenção de Perdas da ICTS Global, multinacional que atua na área em seis países.
Um exemplo é a Droga Raia. A rede de farmácias adotou medidas, como por exemplo, revisão de exposição dos produtos mais visados para furtos, implantação de circuito interno de TV nas lojas, e principalmente, estruturação de uma política de recursos humanos e a impressão de mensagem nas embalagens dos medicamentos sobre autorização para vendas exclusivas. "A rede conseguiu alcançar o índice médio de 0,9% de perdas sobre o faturamento bruto em suas 77 lojas espalhadas pelo país", informa o diretor Antonio Carlos Piponzi.
Evento - O seminário, que ocorre nos dias 12 e 13 deste mês, na Faculdade de Economia da USP, irá abordar os seguintes temas: preocupação das empresas com furtos internos e externos, riscos legais que podem alavancar oprocesso de prevenção, opções de prevenção de perdas em cadeias supermercadistas e centros de distribuição.
Participam especialistas do Brasil, Ingalterra, Colômbia
México e Estados Unidos. Paralelamente haverá exposição de lançamentos da indústria de equipamentos e serviços dos setor de prevenção. A pesquisa será apresentada, em setembro, durante a feira nacional da Associação Brasileira de Supermercados, Abras 2000, no Rio. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelos telefones: (11) 818.6045 e 813.6467


