Estimativa para balança é de superávit de US$ 7 bi, diz Bier
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 07 (AE) - O secretário-executivo da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, afirmou hoje que o governo refez suas contas e está trabalhando agora com uma perspectiva de superávit na balança comercial de US$ 7 bilhões e não mais de US$ 11 bilhões. Bier disse que esse resultado não vai de encontro ao acordo estabelecido com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
"Não há meta estabelecida com o FMI em relação à balança comercial", afirmou. "A projeção do resultado da balança é um dos 50 componentes do balanço de pagamentos, que é importante para se chegar ao número de reservas internacionais." Segundo Bier, são as reservas internacionais que fazem parte de uma das metas traçadas, denominada Crédito Doméstico Líquido. Na avaliação do secretário, a redução da projeção do superávit não deve alterar essa meta porque diversos outros fatores serão levados em conta nesse cálculo, como o balanço de capitais e o de serviços.
Bier disse ainda que acha "natural" uma certa demora no aumento do volume de exportações brasileiras. "É preciso lembrar que o preço das commodities exportadas caiu significativamente no mercado internacional e que o do petróleo, que é uma commodity que importamos, subiu significativamente", afirmou. Ele lembrou ainda que muitas empresas têm ainda que voltar sua produção e destinar seus esforços de venda para o mercado externo. "É preciso contatos, contratos comerciais, isso leva tempo, pode levar até seis meses para ser estabelecido."
O governo também refez suas contas de projeção de queda do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. Segundo informou Bier, trabalha-se agora com uma perspectiva de queda do PIB na faixa de 1,5% a 2%. Logo após a crise russa, em setembro do ano passado, a projeção chegou a ser de até 5%. "O governo, o Ministério da Fazenda e o Banco Central têm uma visão mais positiva do desempenho da economia em 1999", disse.
Na avaliação de Bier, a economia vem reagindo mais rapidamente do que se esperava. "Por outro lado, essa visão mais positiva decorre também do fato de sempre termos feito questão de sermos conservadores ao determinar projeções de receitas." O secretário mostrou-se bastante otimista com o futuro. "Notícias mais recentes vão levar a revisões subsequentes desse número para melhor", disse. Ele não quis arriscar, no entanto, um novo percentual. "Acho que seria prematuro."


