São Paulo, 12 (AE) - A substituição de Robert Rubin por Lawrence Summers no Tesouro americano deve trazer mudanças muito mais de estilo do que de fundo nas questões econômicas. Na avaliação do cientista político Sérgio Abranches, as diferenças de formação entre Rubin e Summers não devem produzir uma guinada importante nos rumos da política econômica americana interna e para o exterior.
O fato de não ser republicano como Rubin pode dificultar o trânsito político de Summers. O novo secretário, entretanto, pode ter como trunfo o poderoso presidente do Fed, Alan Greenspan. "Havia muita concordância entre os dois e Greenspan vinha elogiando publicamente Summers ultimamente, o que ajuda a preparar o terreno para a transição", observou Abranches.
As principais diferenças devem ser de estilo, entre o "homem de mercado" Rubin e o acadêmico e intelectual Summers. O estilo também deve mudar no trato p essoal. "Rubin era um gentleman e Summers, um egresso da classe média, deve ser menos cerimonial"
disse Sérgio Abranches, que faz parte da consultoria Tendências.
Não devem ser esperadas, contudo, mudanças importantes de ordem conjuntural. O republicano Rubin tem fama de ser mais liberal, mas Summers ajudou a arquitetar mudanças que contrariaram os protecionistas americanos, como a formação do Nafta.
Outra dúvida é sobre o suposto menor entusiasmo de Summers na defesa do livre comércio. Abranches, contudo, acha díficil um endurecimento nas relações comerciais americanas, sobretudo com o Brasil. Do ponto de vista das relações com a burocracia econômica brasileira, por exemplo, a tendência seria de melhora, dado que Summers é tido como amigo do ministro Pedro Malan. Além disto, Summers deve parte de sua formação como "policy maker" à sua passagem pelo Banco Mundial, justamente uma instituição de fomento aos países pobres.

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