Rio, 07 (AE) - A estiagem que atingiu o Sul do País no final de 1999 vai pressionar o preço dos produtos agrícolas este ano. Um estudo da Consultoria Tendências prevê aumento médio de 18%, com destaque para a alta nos preços do milho, arroz e feijão. "Esse será novamente um foco de preocupação para o governo", alerta Fábio Silveira, da Tendência.
A variação dos preços agrícolas vai superar de longe a inflação de 8,5% projetada para o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) este ano pelos economistas. A maior pressão será verificada na inflação no atacado, que capta diretamente os aumentos dos preços internacionais e os problemas climáticos. O segmento foi um dos principais responsáveis pelo repique inflacionário do ano passado. A desvalorização cambial pressionou os preços agrícolas, com a disparada dos preços sendo compensada em parte pela safra recorde.
"Os levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que os problemas climáticos do final do ano passado afetaram a safra 2000", afirma. Ele lembra que o próprio governo já identificou o problema e anunciou a liberação de R$ 1,2 bilhão para amenizar as dificuldades de abastecimento na entressafra.
O estudo da consultoria revela que o preço da saca de milho está 65% acima do verificado em fevereiro do ano passado. A alta é mais preocupante pelo seu efeito em cadeia. "O produto serve de insumo na produção de frangos e suínos", observa. "A expectativa é de que esses preços também aumentem, principalmente, no período da entressafra", prevê. O economista acredita que o milho possa subir ainda mais 20% ao longo dos próximos meses.
Já o economista da PUC Luiz Roberto Cunha minimiza os efeitos da redução na produção agrícola sobre os preços em 2000. Ele descarta uma alta tão forte como a registrada no final do ano passado, por conta da seca no Sul do País. "O preço do feijão, por exemplo, disparou na época", lembra. "Sem a perspectiva de uma nova quebra de safra, os preços tendem a se acomodar ao longo do ano", avalia.
Segundo Cunha, os preços atuais já refletem o recuo esperado para a safra neste ano. Os dados divulgados na semana passada pelo IBGE apontam ainda uma queda de 7% na produção de arroz e de 0,8% na área plantada para o feijão. O órgão vai divulgar no final de fevereiro a primeira previsão de safra 2000 do governo.