São Paulo, 14 (AE) - A estiagem deve provocar uma quebra de 21,3% na produtividade da safra de milho do Mato Grosso do Sul e de 15% na de soja, segundo Carlos Pitol, diretor de desenvolvimento rural da Secretaria de Produção e Desenvolvimento Sustentável do Estado. De acordo com Pitol, a produtividade inicialmente esperada para o milho da safra de verão no Estado era 4.987 quilos por hectare - o que resultaria numa produção de 748 mil toneladas - mas com a seca que afetou o desenvolvimento, a expectativa é de um rendimento de 3.925 quilos por hectare.
A seca tem sido um problema para o milho no Mato Grosso do Sul desde o início do período de plantio. A própria área semeada recuou nesta safra em relação a 98/99 por causa da falta de chuvas. Segundo Carlos Pitol, a área de milho caiu para 150 mil hectares contra 216 mil hectares em 98/99. Com a escassez de chuvas, parte dos produtores teve de plantar soja, uma vez que o prazo de plantio do milho venceu, explicou. "O Estado está sendo afetado pela seca desde outubro. Houve apenas chuvas isoladas, por isso alguns produtores não conseguiram plantar milho", disse.
De acordo com ele, a região mais afetada pela estiagem é o sul do MS, onde houve apenas chuvas isoladas na última semana. Em cidades como Amambaí e Ponta Porã, por exemplo, alguns produtores que plantaram milho em outubro perderam as lavouras e acabaram substituindo por soja. Segundo Pitol, os milharais do norte do Estado estão em melhores condições porque a região teve chuvas mais regulares. Soja - O plantio da soja também foi afetado no MS, por isso a área estimada em 1,1 milhão de hectares pode não se confirmar. "Com a seca, alguns produtores tiveram de fazer replantio e outros deixaram a soja para plantar milho na safrinha", disse Carlos Pitol. Na safra 98/99, a área de soja havia sido de 1,070 milhão de hectares. Conforme Pitol, a produtividade da soja era inicialmente estimada em 2.400 quilos, a média dos últimos três anos, o que levaria a uma produção de 2,640 milhões de toneladas.
Com a estiagem, que afetou o desenvolvimento, a expectativa é de uma produtividade de 2.040 quilos por hectares, uma redução de 15%. No Mato Grosso do Sul, a soja pode ser semeada no período de 20 de outubro a 10 de dezembro, mas a estiagem também atrasou o início da semeadura. "Normalmente, o forte do plantio é novembro, mas com a seca, os produtores plantaram pouco, e a semeadura se concentrou em dezembro", disse.
Segundo ele, as lavouras da região centro-sul do Estado - onde há 600 mil hectares de soja semeados - são as mais afetadas pela seca. Também no caso da soja, as maiores perdas estão na região de Ponta Porã e Amambaí, no sul do Estado. Pitol informou que o volume de precipitação aumentou depois do dia 10 desse mês, mas ainda faltam chuvas em regiões produtoras como Dourados e Maracaju. Safrinha - O diretor de desenvolvimento rural Carlos Pitol disse que a área de milho na segunda safra, a chamada safrinha, no Mato Grosso do Sul, deve diminuir este ano em relação a 99, quando foram semeados cerca de 330 mil hectares. Ainda não é possível estimar de quanto seria a redução, disse, mas Pitol explica a expectativa em função do atraso na safra de soja.
De acordo com ele, a safrinha de milho, que é cultivada em áreas anteriormente plantadas com soja, pode ser semeada entre o mês de fevereiro em 10 de março. Mas com o atraso na colheita de soja, a expectativa é de que apenas metade da área prevista para a safrinha consiga ser plantada nesse período. O resto seria plantado após 10 de março, quando aumentam os riscos para a lavoura. "Parte dos produtores não vai conseguir colher soja a tempo de plantar safrinha", disse.
Ele ressalvou, contudo, que as medidas anunciadas pelo governo para agilizar a comercialização (como opções de venda e EGF) podem influenciar na decisão de plantio. Além disso, a decisão também vai depender das previsões climáticas. De qualquer forma, Pitol acredita num aumento das áreas de girassol e sorgo no MS em detrimento do milho da segunda safra.

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